Versos

Zudizilla


Sei que muitos esperam a chance pra mudar,
eu tenho chances pra mudar e não posso desperdiçar.
Jogar minha voz ao vento, sem peso, valor sem nada, basta.
Quem foi que disse que palavra não desgasta?

Se prestar a atenção, vai ver que tudo é diferente,
que a gente anda pra trás ao invés de caminhar pra frente.
Vidas inocentes sofrem sem saber o motivo,
que vidas incoerentes correm sem objetivo.

Se tornam subjetivos, papel de embrulho sem conteúdo,
fazer rap não é o mesmo que fazer barulho.
Escuto mudo, só observo, assim me empenho,
pra quando fizer meu trampo ter a mínima margem de erro.

Eu tô sabendo me escolher entre tantos,
talvez se eu tivesse escolhendo,
não me dedicasse tanto a fazer uma cena,
pôr a minha vida em segunda estância,
fazer da rima um instrumento que dissipe a esperança.
Pra ser lembrança na mente de quem ficou,

Quem partiu, quem parou, quem ouviu,
Quem sentiu frio na espinha.
Eu assumi como se fosse um legado,
já fiz rap sem compromisso, hoje eu carrego o fardo.

(Refrão)
Os versos que eu canto são como preces...,
ser tocada, ser ouvida, e separar o meu destino do seu.
Eu vou pelo que creio e acredito ser o certo,
espero que um dia alguém entenda.

Agora é tarde pra voltar, é encarar e cruzar os dedos,
me esforçar de corpo e alma, coração e sentimento.
Pôr em letra cada mínimo detalhe vivo aqui,
eu revivo aqui tudo aquilo que acharam que tinha acabado.
Verdade, sinceridade, comprometimento.
Saber usar o mic com talento,
manter-se em movimento constante, nunca inerde.

Esse jogo inverte, mostra que tem fôlego pro resto da corrida.
Tá difícil, mas ainda não acabou,
enquanto eu tiver com vida, a voz do rap tem valor.
E tem peso, eu mesmo só que seja,
vou seguir rompendo com as barreiras
que talvez venham a surgir.
Pois tem vários contrários a evolução da espécie,
não sei se é medo da responsa, mas é o que parece.

Se cresce com o rap mas representa eu não vi,
pra falar são tudo home, pra assumir são só guri.
Nem todos são mc, alguns nasceram só pra ouvir,
como uns nascem pra guerra, outros só pra aplaudir.
Quem sou eu pra tá dizendo quem é ou não,
a vida mostra, a rua prova quem tem razão ou não.
E se renova a cada nova geração, e aí sim.

Que se comprova o que ficou ou não, o que eu fiz ou não,
o que eu fui ou não, se eu fui tudo que escrevi, ou fui só ilusão.
Mas não mantive livre, os versos de 90,
eu fiz o rap ter valor, sem mesmo nem tá à venda.

Hoje juntei aos mais antigos, e escutei com atenção,
cada história, cada glória pra traçar minha direção.
Com inteligência, sei que policia não aperta a mão,
governo não estende a mão,
e quem vem fácil só me dá sua mão.
Que nome completo só tem valor em cheque,
e que sua voz não basta pra cantar...

(Refrão ? 2x)

Preocupado não com aquilo que eu rimo,
mas do jeito que meus versos vão chegar nos seus ouvidos.
Uma frase liberta um povo, torna uma nação independente,
um detalhe faz você perder todos os dentes.

Ciente que o chão é duro e a queda não é macia,
e que o futuro não me espera dentro de uma cela fria.
Várias mente vazia abrindo as perna em pró da fama,
somente porco se contenta ao caminhar na lama.

A rua chama, clama, por heróis que sejam eternos,
não que briguem no verão, e cheguem em casa no inverno.
Eu congelo o inferno, uso jaqueta e não terno,
improviso ao extremo,
Johnny Winter dos tempos modernos.

O meu império se expandiu, saiu do escuro,
minha coroa não subiu pra cabeça, trago no punho.
Com ele luto pra que tenha valido à pena,
ter trocado meus dias serenos pela agitação.

Meus dias são incontáveis batalhas contra mim,
talvez seja a pior de todas que eu já me meti,
não posso recuar agora que eu cheguei tão perto.
Basta cruzar os dedos e torcer.

(Refrão)

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