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    Deste cais abandonado
    Todo mundo já partiu
    Até mesmo os velhos ratos
    Abandonaram o navio

    E hoje pende por um fio
    No vazio tão imenso
    Que os tambores silenciam
    No vão do tempo suspenso

    Eu mantenho a língua afiada
    Mastigando o vidro da ilusão despedaçada
    E assim invertem-se os papéis
    E assim que vão-se os dedos e ficam os anéis

    Colhe o que se planta
    O que se faz por merecer
    Cada espinho que retira
    Pra se ver outro crescer

    E hoje pende por um fio
    o vazio tão imenso
    Que os tambores silenciam
    No vão do tempo suspenso

    Eu mantenho a língua afiada
    Mastigando o vidro da ilusão despedaçada
    E assim invertem-se os papeis
    E assim que vão-se os dedos e ficam os anéis

    Letra enviada por Jacqueline Costa
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