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    Hã, Outra Lei, assim, ó
    East Side, as ruas daqui tão cheirando muvuca
    E o que vocês dão valor pra nóis é miséria
    E é, é só o que nós usa
    Divide e usa, e as sirenes toca e nóis escuta
    Passaram mais um, subiu foi mais um
    Comércio engrandece, o tráfico lucra
    E nas esquinas daqui é sempre a mesma coisa
    Outra filha da, hã
    Outra filha da pátria, da pólvora
    O mundo é dela, menos a culpa
    Então me dá um tempo antes que eu surte
    E você destrua tudo, e eu pensei em tudo
    Então cala a boca e me escuta
    E eu voltei pra rua
    Pixação, vizinhança, as paranga na blusa
    Os menor roubando, forjados, uns rodando
    E eles rondando a madruga
    E o baile pegando na rua de baixo
    A justiça solta e o mal aluga
    E ela veio sem receio, com um cigarro nos dedos
    E eu selei com um vinho da Rússia
    E eu não sabia que o topo era assim
    E de onde eu vim eram esquinas sem músicas
    Onde lá só tinha problemas
    E os poetas vendendo o que te alucina
    Quanto vale o show, e quanto custa a vida?
    Se não tem palavra, cê não tem saída
    Ouvindo o caos com o céu na minha cama e o inferno na esquina
    Autoridades desfilam, mercado negro, e o crime domina
    Quem é esse neguinho marrento?
    Do sorriso branco, cabelo loiro, da voz linda?
    Raillow sensação, Raillow é o Mandela
    O sono é luxo, o resto é lixo, Itaquera é Palestina
    Pra emocionar as princesa e fazer das coroas rainhas


    [Verso 2: Xamã]
    Aí, olha o que eu sei fazer
    Hey Jack, conte pra sua mãe que eu fiz um rap
    Rock, tenho andado tão boombap
    Dizem que o Xamã canta de Glock
    Black, lírica hi-tec, toc, toc
    Nunca jante com um vampiro vindo de Woodstock
    Robert De Niro é top
    Marquin, corre que o helicóptero pousou no teu copo
    Parecia ópio, drogas no cardápio?
    Mas se pancar meu flow tu vai parar em Tangamandapio
    Um tanto quanto óbvio e inimaginável
    Suba até meu nível, eis o meu eu lírico impalpável
    Dirigindo métricas de forma irresponsável
    Eu quero um Batmóvel no universo Marvel
    Gata, eu sou terrível
    Transe com meu corpo detestável, assassino divo
    Geral quer ver sangue, eu mato ao vivo
    Mãe, matei seu filho, foi inevitável, imperceptível
    Sigo inabalável, como Hulk: incrível
    Eu vi tudo isso que eu falei num pôr do sol enferrujado na janela de um busão
    Liga pro Mc Xamã
    Quanto tempo eu não te vejo
    Meu menor virou teu fã
    Raillow tá te mandando um beijo, vai
    Liga pro Mc Xamã
    Quanto tempo eu não te vejo
    Meu menor virou teu fã
    E Raillow tá te mandando um beijo, vai
    Ícaro brotou de asa, ligou W. L, de Civic vaza
    O Et tá de (hã) volta pra casa
    Meu flow Deadpool te dá asas
    1kilo, Pineapple na fé, tu não quer também, vaza
    Brotei lobisomem da terra dos homem que manda na Nasa
    Samba é a minha reza, preta se enfeza, não me acompanhe
    Ô filho da puta, arrombado, não encosta sua mão na minha mãe
    Senão te corto em pedaço, te sirvo em um churrasco igual molho acampanha
    Não me acompanhe
    Nada me apaga, liberdade Rafa Braga, liberdade Rafa Braga
    Nada me apaga, liberdade Rafa Braga, liberdade Rafa Braga


    [Verso 3: Lk]
    Se liga agora
    Pros marionetes são a corda
    Hey, pros inertes são vambora
    Antes que se invertam os valores
    Tô perdido, então não me segue, não compete
    Eu tô em outra, irmão, fé te corta as cordas
    O mundo infestado com o mal
    E eu tô buscando igualdade
    Mas no Brasil justiça são papéis de confete no carnaval
    Corpo fechado e a mente aberta, primo
    Dô mais um trago e nego as dores pra me manter vivo
    Busco equilíbrio que é pra não perder o foco
    Os menor dividido na caça do topo e os poetas mortos
    Nós chegamos pela margem e dominamo os monitores
    Foda-se, tomamo a mídia, então arranca as parabólicas
    O choro da coroa, agora o rap deixa minha coroa eufórica
    Quer melhor vitória, irmão?
    O rap tá bombando, tá bom, bando de hipócrita
    Essa porra é Brasil, nossa subversão é expandir a cultura onde o enfoque tá
    Mano pode pá, nós somos os cara, não porte Ak
    E é melhor mais cem mic pros menor do que cem Glock lá
    Capta, minha banca é tipo máfia
    Não, nunca acreditou em autoridade
    Então não explana onde o entoque tá
    Cês conhecem o Lk
    E eu nunca me conheci, eu nunca entendi nada disso aqui
    Andei pensando em ir pro Acre
    Psicografar 14 livros de rap e depois sumir, fui


    [Verso 4: Choice]
    Hey, topo do topo, do topo, pela minha favela
    Pela minha favela
    Caminhando no inferno, eu sou como Orfeu
    Ando sem olhar pra trás
    Calculando o caminho que Jesus percorreu
    Até ver que os humanos não merecem paz
    O peso da cruz que carrego, já não causa dor
    O desprezo de quem eu amo, já não causa dor
    Eu vivo no Purgatório, entre o caos e a dor
    Se a vida é filme, fala por que ninguém pausa a dor?
    A realidade me pede pra ser contada
    Um sinal no céu convoca o Super Hip Hop
    Aqui a verdade não vai ser manipulada
    Com a desculpa de que é só pra gerar Ibope
    Se coloque no lugar da mulher estuprada
    Ou do estudante preso, esculachado pela Bope
    Baleia azul da rua é barca passando apagada
    Eu sou o Cavalo de Tróia do seu laptop
    Uma vez um cara me disse uma hipocrisia
    Ele me disse que ser homem era só ter bigode
    Acho que é tipo ser pobre e não ter comida em casa
    Mas dizer que é milionário dirigindo um Ford
    Quem duvidou eu esmaguei tão facilmente
    Que liricamente eu ando me sentido um Megazord
    O povo vive se iludindo com essa Mega Sena
    Acumulada pra ganhar, só tendo mega sorte
    Num fode, merecemos mais que Bolsa Família
    Ou devo me corrigir para Bolsa Migalha
    Tem político acumulando milhão nas ilha
    Enquanto uma mãe se humilha e outro pai trabalha
    Pra comprar o material escolar da filha
    Que na escola não aprende a matéria necessária
    A vida é um jogo de cartas, tu não tem escolha
    Só que após o fim do jogo a morte é que embaralha
    Quero fazer todos os deuses se amarem
    Falo tipo reuni-los
    Corações sujos como todos esses mares
    Falo tipo o Rio Nilo, mano
    Topo do topo, do topo, e o meu pai se orgulha
    Não me enxerga, mas eu sei que o olho dele brilha
    Brilhantes nunca fizeram meu olho brilhar
    Por isso eu nunca coloquei o dedo no gatilho
    Eu podia ter botado o dedo no gatilho
    E com certeza brilhantes iam me rodear
    Mas aí o olho do meu pai não teria brilho
    E ele não teria nada pra se orgulhar
    Topo do topo, do topo, e o meu pai se orgulha
    Topo do topo, do topo, pela minha família

    [Verso 5: Leal]
    (Poetas no Topo, Rj, Sp)
    Evolução mental, espiritual
    É o que eu necessito pra me sentir vivo
    Nunca me disseram que isso ia ser fácil
    Mas também não me disseram que ia ser difícil
    Duvidaram do que eu posso, era pouco espaço
    Eu sempre vivi com pouco, num incomoda isso
    Poeta num mundo louco, no meio da escuridão
    Provando pro Brasil todo que isso ainda é compromisso
    E que isso é sentimento todo mundo sabe
    Se não for, se torna inútil
    Rap de mensagem, sem massagem
    Liberdade de expressão, veículo útil
    Eu me sinto fraco, eu me sinto mal
    Outra noite longe do meu filho
    Se ele não paga eu me sinto um otário
    Atrasa lado contrata e dá milho
    Se não tem din não faz proposta
    É de graça na quebra, nós tá nessa
    Poesia, mestre de cerimônia, não animador de festa
    O presidente trabalha pra Cia
    Tudo que é nosso eles tão tomando
    Rap é ritmo e poesia
    Eu não sei o que tem a ver com pagar de malandro
    E eu não me perco entre palavras, não me afirmo em fantasia
    Sou pior que cês esperava, revolução com raiva, anarquia
    Eu já sabia que era sem boi, sem dor, sem conquista, nunca foi fácil
    Morei em casa, morei em apê, mas no comecinho eu morei no barraco
    Eu vesti meus trapo, fui pras batalha
    Beco e Santa era de praxe
    Bem que minha tia já dizia, desde pequenininho
    Que eu era muito novo mas eu só fazia arte
    Hoje parte da minha vida, pra isso que eu vivo, incentivo pra quebra
    Primeiro é o respeito aqui soltando o verbo
    Mas pisando fofo, sem falar merda

    [Verso 6: Síntese]
    Meu som na caixa um soco, um sopro divino pros louco
    Sem a raiz não existe o topo
    Perceba que o jogo não é brincadeira se tem vida em jogo
    Cultura vive, vivo estou, espírito livre eu sou
    Da mata sagrada, hey
    Respeita o sotaque, fei
    Eu sou daqui, cês que fala engraçado, fei
    Em tempo de rap torcida
    Escravo do espírito livre na lida
    V3: Verso, verdade e vida
    Não me comove essa honra fingida
    Ando no vale da sombra da vida
    E sigo sem máculas
    Despressurizei com a presença e caíram-se as máscaras
    Ao invés de topo cês merece tapa
    E quando eu abrir esse mar cês não passa
    O tempo que passa, então faça
    Quem te alimenta te pegar pra caça
    O ego que expele o veneno minh'alma repele
    Gestério eleito, eu fiz de um jeito que nem repararam na cor da minha pele
    Célebres malandros fizeram direito
    E aprendi direito
    Sua força e poder sempre vão ser
    Do tamanho do seu respeito
    E hoje sujeito que sou
    Essência reggae no soul
    Já falei uma pá, só que só fingiram escutar, então
    Espera a bomba ficar pronta pra ter tempo pra pensar
    Vejo um jogo cênico dos moço cômico
    Forjando uma brisa, pique esquizofrênico
    Cada consciência uma sentença (não esquece)
    Aham, mas de onde eu vim a verdade que enlouquece
    Arma, fé e fome dos moleque de alma enorme
    Babilônia Brasil não é cenário pra sua peça (jamais)
    Fecha a cara e vai, carai
    Robin Hood desse reino porque humilde o rei num vai virar
    Pro arrebento pode ligar
    Se morte é falhar
    Certeza certeira, faca na caveira
    Com amor e ódio na guerra do sonho nós tá pra trocar
    Mente maciça que é vinda do Vale
    Ponto de vista virando as chave
    Da lage de cima com a vista pra Serra
    Fogueira Matrera é visita dos alien (ahow)
    De São José pra reacender sua fé, irmão
    O instinto é um só
    Ê fei, vai pensando que tá bão

    [Verso 7: Ghetto Zn]
    Eu não quero ser cordial
    Muito menos chegar nessa porra sendo rude
    Que essa mensagem chegue no teu ouvido agora
    E que os view dessa porra com grana me ajude
    Minha família, minha mãe, minha filha
    Todos meus caras aqui sabem que eu sou rabugento, me ature
    Não tem frescura, não tem suporte
    Não que você se importe, Zona Norte te cure
    O vapor rimou, olha só, a morte pra ele abaixou até a foice
    Fiz as criança dançar break e fazer grafite, é família Erva Doce
    Aula eu já dei, na Lapa eu fui rei
    Posso rimar na tua casa ao vivo
    Gravo minha parte, tu passa minha parte, tua banca acha foda
    Isso que me mantém vivo
    Gravando disco em casa com meus manos, sem condição nenhuma
    Eu tô aqui, vivão, vivendo
    Não é de onda, no fim não vou ser espuma
    Não sou Ryu nem Ken, eu tô mais no macete, eu sou Akuma
    Rá, filha da puta assuma
    Que tu não é rapper só porque tu já bebe e fuma
    Os cara com a vida tudo ganha, trocando soco
    Aqui troque soco, espere pipoco
    Ouça, mano, o que eu tô falando
    Eu te agrido na rima pra não agredir com o cano
    Camelô de trem, de seis às seis
    Atendendo mais de um milhão de freguês
    E fui me inspirando em cada pensamento
    Separado que eu fiz o freestyle pra vocês
    Podre de rima, até os playboy que não entende da vida se anima
    Favela no topo, ó quem diria
    O lobisomem, Ghetto trilogia
    Não sei se eu sou o Venom, Doutor Destino
    Sou o Coringa ou o Pablo Escobar?
    Mas no momento já me sinto grato em ser o vilão que cês amam odiar
    Pineapilei, favela traduziu pra vocês
    Como é que eu vou falar inglês se eu nem sei francês?
    Voulez-vous fumê, avec moi ce soir?
    Jacaré virou Paris, tu canta e nunca foi lá
    Podre de rico, quero salvar e não pedir socorro
    Obrigado pelas oportunidade, agora é a comemoração
    Quando eu voltar, hoje tem churrasco no morro

    [Verso 8: Lord]
    Foi aqui que eu vi vários cair
    Onde tive a chance de me levantar
    Foi de baixo, foi eu e o Dk, era tudo ou nada
    Eu querendo me meter, eles querendo me matar
    Eu chorei, ninguém me viu (ninguém me viu)
    Gritei, ninguém me ouviu (ninguém me ouviu)
    Alcancei milhões e milhões de views
    Fiquei bonito, é óbvio
    Eu tô no topo da favela, onde o poeta vive
    Escrevendo histórias sobre homens mortos
    Quer saber qual foi minha vivência no crime?
    Não sei quem é pior, os ratos ou os porcos
    Porque verme é verme (aham)
    E de vocês não tenho medo, eu tenho nojo
    Depender de mim vocês não comem nem miojo
    Ficou nervoso? Entra um dentro do cu do outro (e vem)
    Tipo Sant, um sorriso na foto
    É um grito interno
    Eu fuzilei uma alcateia de demônios que não morrem
    Porque tudo é um inferno
    E eu olho a minha volta
    E chama, chama, tá tudo em chamas
    Tu que tacou fogo nessa porra, Lord?
    Escreve teu lamento e lança
    Cara feia pra mim é fome
    Fome que os menor passa sorrindo
    Jogando bola pra esquecer o ronco da barriga
    E vocês roncando sem saber o futuro dos seus filhos
    Não tenho medo de ameaças
    Já passei por várias, sangrei na guerra
    Inimigos hoje, choram minha vitória no inferno
    Gritando meu nome abafados pela terra
    Eu tô voando mais que passarin (hã)
    Eu quero bem mais do que camarim (eae)
    Bem mais que camarão, salmão, Hennessy
    Todas as minas tipo Cameron, querem-me
    Um Adl incomoda muita gente
    Nosso bonde todo incomoda muito mais
    Dica pra quem tá começando, é bem simples
    Sigam aqueles que não fala e faz
    Senta e olha o flow, aulas
    Eu e suas almas, droga nas veias
    Água na sede, luz na escuridão
    Fechando contas, abrindo cadeias
    Tenta contra nós (é a tropa, é o bicho)
    Hoje eu te derrubo com voz
    Me chame de Lord Ak, Lord Ak
    Corra se tu vê o clã
    Trá

    Letra enviada por Juka1145
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