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Chão de Estrelas

Mutantes

A Arte de os Mutantes


Minha vida era um palco iluminado
E Eu vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões

Cheio dos guizos falsos da alegria
Eu vivia cantando a minha fantasia

Entre as palmas febris dos corações

Meu barração lá no morro do Salgueiro

Tinha o cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou

E hoje, quando do sol, a claridade

Forra o meu barracão, sinto saudade

Da mulher pomba-rola que voou
Nossas roupas comuns dependuradas
Na corda, qual bandeiras agitadas
Pareciam um estranho festival!

Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional
A porta do barraco era sem trinco
E a lua, furando o nosso zinco

Salpicava de estrelas o nosso chão
Tu pisavas os astros distraída

A mostrar que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão
É os gatos miando no porão

Compositor: Orestes Barbosa / Sílvio Caldas

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