Tony Bizarro, um dos pioneiros da soul music no Brasil, morreu aos 73 anos. O cantor e produtor enfrentava há anos uma série de problemas de saúde e vivia em uma casa de repouso. O baterista do Azymuth, Ivan Conti Mamão, foi quem comunicou o falecimento do amigo em suas redes sociais.

Apesar de pouco conhecido pelo grande público, Bizarro era um nome cultuado entre os fãs da black music com tempero brasileiro. Luiz Antônio Bizarro, nascido em abril de 1948, foi mais um, entre tantos, que conheceu a soul music através de Tim Maia, de quem foi grande amigo - sem crédito, ele fez vocais de apoio em "Primavera (Vai Chuva)" e apareceu em outros discos do artista.

Em álbum, ele estreou em 1971, no disco homônimo da dupla Tony & Frankye, que montou no final dos anos 60 com outra peça importante da música pop brasileira da época: Frankye Arduini (morto em 2017). Apesar de muito bem produzido e com grandes músicas, o trabalho não aconteceu e a dupla logo se separou.



A grande obra-prima de Bizarro é o álbum "Nesse Inverno", lançado em 1977, e que segue impressionando os ouvintes nesses 45 anos, dada a qualidade das composições, da produção e dos músicos envolvidos, entre eles a dupla que iria causar barulho no pop brasileiro da década de 80: Lincoln Olivetti e Robson Jorge.

Como o disco também não vendeu muito, Tony voltou-se para a produção, trabalhando nos bastidores em discos de artistas como Odair José e Sidney Magal.



Ele gravaria de maneira intermitente nas décadas seguintes, com destaque para o compacto "Estou Livre" (1983), grande hit nos bailes black da época, e hoje muito cultuada entre os fãs de boogie - nome como atualmente é chamada a música pós disco music para dançar feita no Brasil.




De grande valor histórico é também o seu último trabalho feito dentro de uma gravadora de grande parte, o álbum "Alma Negra", 1988, que, a despeito da produção um tanto datada, juntou Tony ao lado de outros grandes nomes da nossa black music como Toni Tornado e Luis Vagner.