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  • Em São Paulo, U2 mostra atemporalidade de canções de "The Joshua Tree"

    Banda faz nesta quarta o último show da turnê que celebra os 30 anos do disco

    Há 4 semanas da Redação

    U2 letras
    O U2 está provando em sua atual temporada de shows em São Paulo, a perenidade das canções de "The Joshua Tree". O álbum mais vendido da banda completou 30 anos em 2017, e a banda saiu em uma turnê especial em concertos que têm como parte central a execução de todas as faixas do álbum na ordem em que aparecem no trabalho.

    A decisão certamente trouxe algumas dúvidas sobre como fazer isso. Tocar essas canções logo no começo significaria já abrir as apresentações com três dos momentos que há décadas são deixados para a parte final dos concertos - "Where The Streets Have No Name", "I Still Haven't Found What I'm Looking For" e "With Or Without You" - sim, o disco tem essa peculiaridade ter ter os seus três singles de sucesso enfileirados logo em seu início. Há também o fato de que as outras músicas são certamente queridas por uma grande parte dos fãs da banda, mas não são conhecidas por um público mais genérico, aquele que vai ao concerto, mas não conhece a fundo a carreira do quarteto.

    No fim, os quatro conseguiram arquitetar uma apresentação que se mostrou muito eficiente, ao dividir o espetáculo em três atos bem distintos, como pudemos conferir no sábado (21).

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    A primeira parte, começa com os integrantes subindo um a um à pequena passarela montada no meio do Morumbi para mostrar quatro canções lançadas antes de 1987. O baterista Larry Mullen Jr. sozinho começa a tocar "Sunday Bloody Sunday" (1983) e tem-se a chance de ver os quatro como se estivessem em um pequeno clube. Ok, ver talvez seja um pouco exagerado, já que nessas canções, o telão (mais sobre ele depois) ainda está desligado e fica difícil ver alguma coisa, seja das arquibancadas ou mesmo no gramado com centenas de celulares encobrindo a visão.

    A banda segue com "New Year's Day" (também de 1983), e surpreende com "Bad", a climática faixa de 1984 que culmina com Bono encaixando a letra de "Waters Of March" (a versão em inglês de "Águas de Março") na música. Assim, o que fica mesmo é a força dessas músicas e o poder que elas têm de mobilizar (e emocionar) grandes multidões.

    Apesar de conhecido por gostar de falar bastante no palco, o vocalista se mostra mais comedido dessa vez. Mas algumas palavras fortes certamente foram ditas. "Que país maravilhoso vocês têm", antes de contar que eles estiveram no famoso edifício Copan, citando o arquiteto Luiz Oscar Niemayer e que dali era possível ver toda a cidade. "Que um dia vocês tenham políticos que os mereçam" disse, antes de falar que o brasileiro gosta de vencer (citando a Copa do Mundo do ano que vem) e que se rende apenas à música. Com "Pride (In The Name Of Love)" eles encerram a primeira parte do show e o momento central do concerto tem início.

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    A introdução de "Where The Streets Have No Name" começa tocar nas caixas e os irlandeses seguem para o palco principal, onde finalmente pode-se ver o gigantesco telão - o único acessório cênico - em pleno funcionamento. E ele impressiona com seus 60 metros e resolução de 7.6 k. Além de mostrar o show, geralmente em imagens com efeitos ele exibe principalmente vídeos feitos pelo fotógrafo Anton Corbijn, que servem como comentário para as canções.

    Ainda que os piques de animação caiam um pouco, depois das três primeiras músicas, nota-se que boa parte da audiência está mais do que feliz em finalmente ouvir ao vivo músicas como "Red Hill Mining Town" ou "Exit" (essa uma das mais poderosas da noite). Com a emotiva "Mothers Of The Disappeared" eles deixam o palco pela primeira vez, antes de retornarem para os dois bis com músicas lançadas posteriormente.

    A banda retorna com "Beautiful Day" (com Bono cantando trechos de "Mas Que Nada") e segue animando o público com as mais pesadas "Elevation" e "Vertigo". É nessa hora que Larry Mullen exibe sua camiseta com as escritas "Censura nunca mais".

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    O segundo bis é mais emotivo. Depois da nova "You're The Best Thing About Me", é a vez de "Ultraviolet (Light My Way)", onde a banda homenageia a causa feminia. O telão exibe então fotos de várias mulheres que ajudaram a mudar o nosso mundo - uma lista eclética que vai de Eva Perón a Michelle Obama, passando por Frida Kahlo, Patti Smith, Tarsila do Amaral, a ativista Rosa Parks ou as russas do Pussy Riot.

    Chiquinha Gonzaga, Maria da Penha, a escritora Conceição Evaristo, Irmã Dulce e a atriz Taís Araújo foram as outras brasileiras homenageadas. "One", com a bandeira brasileira exibida na tela, o grupo se despede de vez.

    Em um show que pode muito bem ter sido o melhor visto por aqui neste ano, o U2 provou que sabe, de forma quase única, criar um ambiente de intimidade e conexão com sua audiência, mesmo em em um estádio com dezenas de milhares de pessoas. Quem tiver a chance de vê-los nessa quarta (25), naquele que será o derradeiro show dessa turnê, não deve perder a oportunidade.

    Veja trechos do show em vídeos feito por fãs:

    "Bad"



    "Where The Streets Have No Name"



    "Ultraviolet"

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