Iron Maiden - The Book Of Souls
Iron Maiden
Iron Maiden The Book Of Souls
Ser uma banda ambiciosa, mesmo que acabem esbarrando na pretensão aqui e acolá, sempre foi uma característica do Iron Maiden. Isso ajuda a explicar a eterna popularidade do sexteto mundo afora, mesmo 35 anos depois do lançamento de seu primeiro disco.

Já tem um tempo também que o Maiden prefere dialogar apenas com os seus (muitos) fãs. Assim, eles não estão muito preocupados em ampliar seu público apelando para modismos, modernizações sonoras ou chamando algum produtor do momento para trabalhar com eles.

Dito isso está claro que quem nunca curtiu a banda, não irá mudar de opinião agora. Já se você está entre os "maiden-maníacos", pode se preparar para mais de uma hora e meia de fortes emoções, já que "The Book Of Souls" tem tudo, e um pouco mais, que se pode esperar de um bom disco da banda.

Iron Maiden letras
É claro que ainda é cedo para se fazer previsões futurísticas, mas é difícil não achar que se está de frente a um novo clássico da banda - e consequentemente do heavy metal - ao final da primeira audição do álbum.

O fato é que esse é certamente o melhor disco deles em mais de 20 anos, principalmente por mostrar o grupo em plena forma criativa. Os temas longos e épicos estão presentes em abundância, as faixas no geral passam dos 6 minutos e "Empire Of The Clouds" encerra o trabalho com incríveis 18 minutos de duração.

Que ainda assim o trabalho não se mostre cansativo, é outro mérito do grupo que também mostra talento em manter seu som clássico sem que isso signifique repetição - a semelhança da introdução de "Shadows Of The Valley" com a da clássica "Wasted Years", certamente é proposital.

A única coisa que talvez falte ao trabalho é um single mais imediato - algo que todos os discos deles nos anos 80 tinham - de curta duração e longo impacto. Mas no final isso é só um detalhe. Em resumo, "The Book Of Souls" é um trabalho que justifica a fé que os fãs do grupo vem depositando em seus integrantes por mais de três décadas.

Ouça "Speed Of Light" com o Iron Maiden presente no álbum "The Book Of Souls"





A-Ha - Cast in Steel
A-Ha
A-Ha Cast In Steel
O som dos noruegueses do A-Ha passou por uma reavaliação nos últimos anos. Se antes o trio era visto com certo desdém pela crítica e o público dito "sério", a coisa mudou de figura.

Seja pelo amor declarado ao pop honesto do trio que integrantes de bandas como Keane ou Coldplay declararam, ou pela constatação pura e simples de que boa parte dos hits gravados por eles nos anos 80, tornaram-se clássicos, a verdade é que em pleno 2015 o A-Ha faz muito sentido. Dessa forma fica fácil entender o retorno do grupo cinco anos depois de sua "despedida oficial".

A chegada de "Cast in Steel", ainda assim não deixa de surpreender, afinal achava-se que o grupo iria se reunir apenas para fazer alguns shows - no início do ano foi divulgado que eles estavam retornando apenas para se apresentar no Rock in Rio.

A-Ha
A boa notícia é que o álbum é, no geral, muito bom. O disco mostra a faceta mais introspectiva da banda, com baladas e faixas mais lentas dominando o trabalho.

O formato ainda é o do tecnopop, com muitos sintetizadores e baterias eletrônicas dominando os arranjos. Isso não significa que o álbum tenha um clima oitentista.

Essa aliás foi a grande sacada dos três. Eles poderiam ter gravado um álbum retrô, apostando na onda nostálgica que varre o planeta, mas escolheram outro rumo. As canções aqui soam sérias e, principalmente, modernas.

Os vocais de Morten Harket estão mais contidos, boa notícia para quem não era muito fã de seus falsetes, e as composições, muitas escritas pelo guitarrista Paul Waaktaar-Savoy são pop e inventivas na medida certa. O resultado é um belo álbum de retorno, com um bom número de faixas que deverão surpreender quem for aos shows deles no Brasil apenas para matar as saudades dos velhos hits.

Ouça "Under The Makeup" com o A-Ha presente no álbum "Cast in Steel"





The Arcs - Yours, Dreamly,
The Arcs
The Arcs Yours, Dreamily,
Dan Auerbach e'um cara que gosta de se manter ocupado. Assim, quando não está batendo ponto em seu "trabalho principal", como líder do Black Keys, ele gosta de se aventurar.

Nos últimos anos o guitarrista também lançou um álbum solo e produziu uma enorme gama de artistas - de Lana Del Rey a Dr. John.

O The Arcs é mais um de seus projetos, que acabou nascendo mais que tudo pelas mãos do destino.

The Arcs
Isso porque se não fosse o acidente sofrido pelo seu parceiro de banda, o baterista Patrick Carney, ter forçado o cancelamento de várias datas da turnê mundial da dupla, era capaz que o disco não existisse.

"Yours, Dreamly," começou como um trabalho solo, mas terminou creditado ao The Arcs depois que outros músicos foram se envolvendo no projeto.

Ainda assim o resultado final tem a cara de Auerbach, seja pelas músicas com as tradicionais influências de blues, soul, R&B e a música americana de raiz ou pelo seu trabalho de produção.

O álbum deixa claro que o músico conseguiu imprimir uma marca própria às suas criações, daquela que um ouvinte mais atento consegue dizer de quem se trata mesmo sem saber quem está tocando. O álbum se mostra uma boa pedida para quem curte os Black keys, mas não só.

Veja o The Arcs tocar três músicas de "Yours, Dreamly," em uma sessão para a KCRW