Taylor Swift - 1989
Taylor Swift
Começando os números: "1989" vendeu mais de 600 mil cópias no dia em que chegou às lojas e até a próxima segunda a previsão é a de que esse número dobre. Sendo assim, o quinto trabalho de estúdio de Taylor Swift caminha com vantagem para se tornar o álbum mais vendido do ano nos EUA.

E sabem porque esse número tende a crescer? Basicamente porque Taylor Swift buscou fazer um álbum que funciona como um todo e que, principalmente, não falará apenas para os convertidos.

Quem acompanha as paradas de sucesso está certamente cansado de ver vários álbuns que chamam a atenção em sua semana de lançamento e depois simplesmente desaparecem, já que eles parecem ser apenas comprados pelos fãs de carteirinha dos artistas.

Taylor Swift
O maior problema desse modelo é que ele acaba excluindo da equação o ouvinte comum, aquele que simplesmente é cativado por uma canção ou artista que até então lhe era desconhecido. Pode parecer estranho hoje em dia, mas até meados da década de 90, era raro um disco estrear no topo da parada. O normal era que ele fosse galgando posições até atingir o ápice.

Outro problema dos álbuns atuais é que eles parecem ter voltado ao padrão que se via nos anos 60, quando muitos LPs traziam os singles de sucesso, uma ou outra música mais forte, mas sem grande potencial, e os chamados "fillers" - canções que só entravam no disco para preencher tempo.

Isso acaba gerando artistas que vendem milhões de singles e não conseguem vender sequer 100 mil álbuns, simplesmente pelo ouvinte não ver razão para comprar um álbum que no final só tem três ou quatro faixas realmente boas.

Taylor Swift
A grande jogada de Taylor Swift confrontar essa situação. "1989" é um álbum de música POP (assim mesmo, com maiúsculas) como há tempos não se ouvia. Um disco que não faz feio perto de trabalhos de gente como ABBA, Blondie e de todos os grandes nomes surgidos nos anos 80. Suas 13 faixas (16 na versão de luxo) soam contemporâneas, mas não escondem uma grande dívida com o passado.

Dessa forma, o disco agradará não só os milhões de fãs da cantora como também ampliar esse sucesso para outras fatias do público - sabe aquele disco que agrada os filhos e também os seus pais? Pois é.

O trabalho além de trazer vários hits em potencial, também conta com uma série de canções que deverão se tornar muito queridas entre os fãs da cantora, mesmo que elas nunca virem singles. Dá até para chutar que daqui sairão pelo menos cinco ou seis músicas que nunca mais deixarão o repertório de seus shows.

Taylor Swift
A decisão de abandonar o mundo da música country também se mostrou bem sucedida. Primeiro porque Swift já estava cada vez mais distante do mundo de Nashville e havia chegado a hora de dar esse salto na carreira. Por outro lado, ela bem sabe que a música country é um grande porto seguro, para onde ela sempre poderá voltar em um momento futuro, caso ela sinta essa necessidade.

Isso não significa que "1989" é um disco impecável. Até por ser um álbum eclético, ele não deve agradar por completo a todos os ouvintes. Mas essa não deixa de ser uma de suas maiores graças. É provável que um ouvinte mais maduro não se impressione muito com, digamos, o divertido single "Shake It Off", mas ele certamente irá apreciar a faixa de abertura "Welcome To New York" ou a excelente "New Romantics" (que infelizmente só está presente na edição deluxe do álbum).

Para resumir, Taylor gravou um disco que não só irá vender bastante, como também será muito ouvido e tocado. E hoje em dia, quando as vendas estão cada vez menos importantes, esse é a grande ambição de qualquer grande artista.

Ouça "Shake It Off" com Taylor Swift presente no álbum "1989"





Led Zeppelin - IV e Houses Of The Holy
Led Zeppelin
Led Zeppelin Led Zeppelin "IV"
Nessa segunda leva de relançamentos da discografia do Led Zeppelin, outros dois álbuns se juntam aos três que saíram há quatro meses. Dessa vez temos um clássico indiscutível da banda, e da história do rock, e um trabalho um pouco "menor" do grupo - o que faz dele um álbum, digamos, nota 8,5.

Comecemos pelo álbum sem título, que convencionou-se a ser chamado de "Led Zeppelin IV". Lançado em 1971 ele é um dos discos mais icônicos de todos os tempos, tendo vendido mais de 37 milhões de cópias e ganhado 23 discos de platina nos EUA.

O sucesso se explica por ele ser um dos álbuns mais completos da banda. Entre suas oito faixas estão hits ("Rock And Roll", Black Dog" e, claro, Stairway To Heaven), faixas mais experimentais como "Four sticks", canções de tempero folk, o caso das belas "The Battle Of Evermore" e Going To California" e duas das maiores pauladas já gravadas em disco: "Misty Mountain Hop" e "When The Levee Breaks". Resumindo: não existem por aí muitos discos de rock mais completos que esse.

Led Zeppelin
Led Zeppelin Houses Of The Holy
"Houses Of The Holy" de 1973, é um pouco menos "clássico", mas está longe de ser um disco fraco. Ele também traz oito faixas e foi feito para mostrar todo o alcance e ecletismo da banda - o guitarrista Jimmy Page queria mostrar aqui que o Led era mais que uma banda de rock pesado, como muitos, incluindo a maioria esmagadora da crítica especializada.

Não que os momentos mais "hard" tenham ficado de fora, vide "The Song Remains The Same" "Dancing Days" e "The Ocean".

Mas o álbum também trazia momentos de rock progressivo - "No Quarter", uma das melhores baladas da banda ("The Rain Song") e a complexa "Over The Hills And Far Away". Os momentos mais discutíveis do disco ficam para as tentativas do grupo de gravar algo mais funkeado ("The crunge") ou de fazer um reggae. mesmo assim "D'yer Mak'er" tem lá seu charme - as crianças, por exemplo, costumam gostar muito dela quando a escutam pela primeira vez.

Led Zeppelin letrasJimmy Page
Assim como aconteceu com a primeira leva de relançamentos - que fez com que o grupo colocasse três álbuns simultaneamente nos top 10 americano e britânico em pleno 2014 - os dois discos chegam também em versão de luxo e super luxo, com som remasterizado, novo projeto gráfico e faixas bônus.

Como extra, cada álbum traz um segundo CD (ou vinil) com versões diferentes de todas as faixas que compõem o trabalho original. Desta vez foi dada preferência para mixagens alternativas ou versões instrumentais das músicas, o que pode frustrar quem esperava alguma faixa inédita ou alguma outra surpresa.

Por outro lado, essas novas versões não deixam de ter seu interesse, especialmente para os fãs que já ouviram essas músicas milhares de vezes.

Ouça o mix alternativo de "Rock And Roll" presente na reedição de "Led Zeppelin IV"





Annie Lennox - Nostalgia
Annie Lennox
Annie Lennox Nostalgia
Não é de hoje que o velho cancioneiro americano fascina o mundo pop, mas de uns anos para cá vários artistas resolveram se arriscar nesse repertório - vide Rod Stewart, Paul McCartney e o recente álbum que Lady Gaga gravou com Tony Bennett.

Dito isso, esse álbum pode até parecer um tanto desnecessário. Mas a verdade é que todas essas dúvidas se dissipam com uma rápida ouvida nesse belíssimo trabalho, algo que já era até esperado, já que Annie Lennox é dona de uma das melhores vozes femininas dos últimos 30 anos.

Em seu terceiro álbum de versões, a vocalista dos Eurythmics demonstra não só ter enorme bom gosto ao pinçar canções imortalizadas por, entre outros, Nina Simone e Billie Holyday. A surpresa maior é ver como ela consegue dar nova vida mesmo à canções gravadas dezenas e dezenas de vezes como "I Put a Spell On You" ou "Summertime".

Annie Lennox
E isso é conseguido não só pela cantora, mas também pelo belo trabalho de produção e arranjo que abre mão das grandes orquestrações - uma constante nesse tipo de trabalho - dando preferência a um acompanhamento mais sutil e simples com pouco mais que piano, alguns teclados eletrônicos para criar ambientação e cordas discretas.

Dessa forma Lennox conseguiu algo difícil: escapar simultaneamente do mero exercício nostálgico - apesar do nome dado ao álbum - e da armadilha maior que seria a de tentar modernizar esse material.

"Nostalgia" entrou no top 10 americano e também nas paradas de jazz, onde conquistou o primeiro lugar e é um trabalho de grande delicadeza e bom gosto. Recomendado é pouco.

Ouça "Summertime" com Annie Lennox presente em "Nostalgia"



Veja aqui quais foram os lançamentos de destaque na semana passada!