Prince: "1999"
Nos anos 80 Prince era o exemplo de artista moderno e instigante. O fato é que o cantor tinha mesmo a ver com o período: uma época egoísta (por saber tocar mais de 30 instrumentos, ele podia, se quisesse, abdicar de sua banda em estúdio), com interesses diversos (ali estava um negro que abraçava sem cerimônia rock, pop, funk, soul e romantismo) e ultra preocupada com estilo e tecnologia.

O músico também quebrou barreiras comportamentais, compôs vários clássicos ("Purple Rain", "When You Were Mine", "When Doves Cry", "Kiss", "Raspberry Beret"...) e lançou muitos álbuns antológicos - sua produção entre 1981 e 1987 é enorme e exemplar.

Dentre suas canções, "1999" é a provável joia da coroa, com sua introdução climática e a letra que conclama todos a dançarem como se fosse 1999. A música é tão boa que em pleno século 21 ela ainda faz sentido.

DivulgaçãoMichael Jackson letras
Michael Jackson: "Billie Jean"
Michael Jackson já chamava a atenção desde os sete anos quando cantava no Jackson 5 com seus irmãos desde o final da década de 60. No decorrer dos anos setenta tudo foi preparado para que ele se tornasse um dos maiores show man dos Estados Unidos. O primeiro passo foi começar a separá-lo de seus familiares. O segundo foi o disco "Off the Wall" e sua bem sacada mistura de estilos. O passo final foi o álbum "Thriller", projetado milimetricamente para vender milhões.

Assim, o disco trazia baladas e um dueto com Paul McCartney para os mais velhos e românticos, solo de guitarra do Van Halen para os roqueiros e funk e r'n'b para os fãs de música negra.

Para fechar o pacote vídeos clipes com cara de filme que quebraram de vez o boicote velado aos artistas negros mantido pela MTV. Mas acima de tudo isso, "Thriller" tinha "Billie Jean", exemplo maior do que se chama de pop perfeito, com sua linha de baixo inigualável e talvez o grande motivo pelo qual sempre olharemos para ele com respeito e admiração.

New Order
New Order: "Blue Monday"
Durante a década de 80 o Joy Divison foi tomando proporções mitológicas. Os três músicos sobreviventes (acrescidos da tecladista Gillian Gilbert) tomaram a inteligente decisão de, aos poucos, se afastarem da sonoridade da antiga banda. Assim, o som soturno e melancólico, foi dando espaço a uma música dançante, eletrônica e... melancólica. Não seria exagero considerar "Blue Monday" a canção mais importante dos anos 80.

A faixa serviu para quebrar preconceitos, abrindo os olhos dos roqueiros para a dance music e vice-versa. Os descendentes ainda hoje estão surgindo. De Stone Roses ao Prodigy passando pelo Franz Ferdinand muita gente se beneficiou, mesmo que indiretamente, com as lições ensinadas pelo quarteto de Manchester.

R.E.M.
R.E.M: "Radio Free Europe"
Surgido no início dos anos 80 em Athens na Georgia, o R.E.M se tornou a banda favorita dos universitários e da crítica americana e britânica e, anos depois, um dos maiores grupos do planeta.

Exemplo de banda íntegra que faz tudo nos seus conformes, o quarteto sempre foi admirado não só pela música como pelo seu jeito simples de ser e de como conseguiu sobreviver à sua maneira dentro da grande máquina da indústria do entretenimento.

"Radio Free Europe", o primeiro compacto do grupo (lançado em edição limitada em 1981 e regravado dois anos depois para o disco de estreia "Murmur"), deu início a essa trajetória.

Apesar de não ser um dos maiores sucessos da banda ela é importantíssima dentro da história do pop por algumas razões, sendo a principal delas a de ter estimulado um novo salto evolutivo ao rock de sua época (já era 1983 e o pós-punk e a new wave já estavam nas últimas) e por ter ajudado a cunhar o termo college rock (o rock tocado pelas rádios universitárias americanas, que, sem preocupações com audiência abriam seus microfones para toda uma nova geração de artistas). Resumindo, "Radio Free Europe" é o marco zero do rock alternativo.

Madonna letras
Madonna: "Like A Virgin"
Com seu primeiro disco, Madonna havia conseguido um certo sucesso e criado um bom número de pérolas pop ("Borderline", "Lucky Star", "Holiday"...). Mas foi "Like A Virgin", o segundo disco de estúdio com vários singles de sucesso, incluindo a icônica faixa-título, que abriu o caminho para ela se tornar qa cantora mais bem sucedida da história e também um ícone, de proporções inimagináveis.

Madonna seguiu lançando bons discos e causando polêmica nas décadas seguintes, e o material que ela gravou nos primeiros cinco ou seis anos de sua carreira discográfica são fundamentais para se entender a música pop moderna.

DivulgaçãoThe Smiths letras
The Smiths: "How Soon Is Now?"
A chegada da banda de Morrissey e Johnny Marr na cena pop é um caso de timing perfeito. Em 83, as sonoridades pós punk já davam mostra de cansaço. Sobrava o pop das paradas, encabeçado pelos new romantics Duran Duran e Culture Club que eram, simpáticos, mesmo geniais em certos momentos, mas sem muita utilidade se você buscava emoções menos rasteiras.

Outra opção seria assumir o modelito preto e virar gótico niilista-existencialista (os anos 80 adoravam rótulos, especialmente esses que ninguém conseguia explicar direito) fã de Siouxsie and the Banshees, Bauhaus e The Cure ou senão sentar e esperar por uma banda que te entendesse.

Os Smiths chegaram então para falar com todos que se sentiam excluídos da "grande festa da música oitentista". Estava ali um grupo que soava diferente de quase tudo que viera antes, e que conseguia isso sem partir para experimentações e/ou radicalismos sonoros.

O som dos Smiths se fundamentou em duas bases: as melodias de Johnny Marr e as letras de Morrissey e seus contos de desilusão, desamor e inadequação aos tempos modernos. O quarteto de Manchester gravou várias obras-primas, mas nenhuma tão perene quanto "How Soon Is Now?". Afinal quem nunca foi para uma festa ou balada com grandes expectativas e voltou pra casa sozinho e amaldiçoando o mundo, que atire a primeira pedra.

Run DMC letras
Run DMC: "Walk This Way (feat. Aerosmith)"
Foi essa versão para o antigo hit do Aerosmith, feita por esse trio de Nova York, o maior responsável por tirar o rap dos guetos. De quebra, ele ainda ajudou a ressuscitar a carreira da banda setentista.

O Run DMC tinha o costume de criar raps em cima da base de "Walk This Way (feat. Aerosmith)", mas sem levar aquilo muito a sério. Quem os convenceu a gravar uma cover da música foi o produtor Rick Rubin

A versão ajudou o disco "Raising Hell" a vender mais de 2.5 milhões de cópias, deu origem a um dos vídeos mais importantes já feitos, botou a banda na capa da Rolling Stone (os primeiros artistas de rap a conseguirem o feito) e abriu de vez as portas do mainstream para o hip-hop.

Guns N' Roses
Guns n' Roses: "Welcome To The Jungle"
Os anos 80 precisavam de uma banda suja e malvada para estourar a banca. Afinal o glam metal (ou hair metal ou, em bom português, metal farofa) estava cansando e a hora de uma mudança sonora no mundo do rock pesado era sentida.

As variantes mais radicais do metal, comSlayer e Metallica à frente, já chamavam a atenção dos mais antenados, mas o grande público americano ainda não estava preparado para algo tão bruto.

Foi nesse contexto que surgiu o Guns n'Roses. Cinco caras com gosto não só pelo som, como pela vida desregrada de seus maiores ídolos (Led Zeppelin, Aerosmith, e os Rolling Stones dos anos 70). Some a isso um visual certo para agradar à geração MTV e realmente não tinha como dar errado.

Mas também não se imaginava que pudesse dar tão certo assim, já que o disco de estreia do quinteto - "Appetite for Destruction" de 1987 - se tornou um dos dez mais vendidos na história americana. Nenhuma música simboliza melhor o grupo do vocalista Axl Rose e do guitarrista Slash que "Welcome To The Jungle", com seu grande riff , a letra direta e a sua introdução cinematográfica.

My Bloody Valentine letras
My Bloody Valentine: "You Made Me Realise"
Para certa parcela da crítica, o último sopro de criatividade dentro do rock foi dado por esse quarteto. O MBV demorou até achar a sua cara definitiva, mas quando ela foi encontrada as marcas deixadas foram profundas.

O som da banda era barulhento, recheado de ruídos, microfonia e distorções. "You Made Me Realise" saiu em compacto no ano de 1988 e mostrou que esse "novo" MBV iria fazer a diferença.

Nos anos seguintes a banda deu origem a um grande número de imitadores e até a um subgênero (o shoegazing). Infelizmente o gosto pelo barulho cobrou seu preço. O líder Kevin Shields passou a se dedicar a duas coisas: torrar uma fortuna da gravadora na gravação do disco "Loveless" e a fazer "pesquisas sonoras" para descobrir novos timbres de microfonia e distorções para guitarra.

O disco saiu em 1991, e realmente soava diferente de quase tudo que se ouvira até então, mas Shields acabou com problemas graves de audição e a banda entrou em hiato. Eles só lançariam um novo disco em 2013.

Public Enemy letras
Public Enemy: "Fight The Power"
Houve um tempo em que o rap não falava só de vadias, bandidos, traficantes e a necessidade de se ficar rico (e exibir essa riqueza). Foi a chamada era de ouro do hip hop, onde as bandas podiam ser desencanadas (como o De la Soul) ou politizadas.

Nessa última vertente ninguém foi mais fundo que o Public Enemy, a banda mais radical surgida nos anos 80. Seu líder Chuck D costumava dizer que o rap era a CNN dos negros e soltava seus discursos polêmicos e raivosos debaixo de uma saraivada de ruídos criados pelo DJ Terminator X e as intervenções satíricas de Flavour Flav.

O PE é considerado o melhor grupo de rap e hip-hop já surgido, graças aos seus três primeiros discos e às misturas e colaborações com o pessoal do rock (como "Bring The Noise" com os metaleiros do Anthrax). "Fight The Power" mostra o porquê de toda essa importância. Uma música que marcou época principalmente depois de ter sido usada por Spike Lee (de boné azul na foto acima) na abertura do também marcante "Faça a Coisa Certa" de 1989.

The Stone Roses letras
The Stone Roses: "She Bangs The Drums"
"Fools Gold" costuma ser lembrada pela imprensa e público inglês como a grande obra-prima da banda. Pode ser, afinal a música que cruzava funk com vocal sussurrado simbolizou a primeira era das raves e fez muito roqueiro cair na dança. O outro grande trunfo dos Stone Roses foi o de trazer de volta um certo senso de grandeza e ambição ao rock inglês.

A fórmula não era novidade: um pouquinho de Beatles, outro tanto de rock psicodélico dos anos 60 somados ao lado mais melódico do punk. Tudo coberto com a arrogância típica de Manchester. O resultado disso pode ser conferido em "She Bangs The Drums", uma das melhores do disco de estreia deles que segue muito bom mesmo depois de duas décadas.

Infelizmente, logo depois o grupo entrou em litígio com a sua gravadora e demorou quatro anos para lançar o sucessor. Aí já era tarde demais e eles terminaram logo depois de forma melancólica, só para ver uma banda conterrânea levar a cabo o processo começado por eles. O nome dessa banda? Oasis.

Pixies letras
Pixies: "Debaser"
Os Pixies estão entre grandes bandas surgidas no underground americano nos anos 80 - uma época bastante fértil que nos deu, entre outros, Husker Dü, Replacements e o Sonic Youth.

A mistura de grunhidos, letras nonsense, punk e pop criada por Black Francis e seus companheiros deu uma boa renovada no cenário.

O impacto maior do grupo se deu na Inglaterra, onde eram queridinhos da crítica e do público. Mas não se pode subestimar as conquistas do grupo dentro de seu próprio território. Basta lembrar que Kurt Cobain ao compor "Smells Like Teen Spirit" disse que estava simplesmente copiando os Pixies e sua fórmula "calmo/alto/calmo".

"Debaser" é a faixa de abertura de "Doolittle", o segundo disco do grupo (terceiro se você considerar o mini-lp "C'mon Pilgrim") e mesmo sem ter sido lançada como single tem tudo o que os eles fizeram de melhor: a mistura de pop com barulho e a letra perversa citando "O Cão Andaluz", clássico filme surrealista de Luiz Buñuel.

DivulgaçãoU2 letras
U2: "One"
Desde 1987 e o estouro de "Joshua Tree", o U2 é a maior banda do planeta. Tendências vêm e vão, a crítica reclama se a banda muda de som e também xinga se eles não mudam, o público ameaça trocar de ídolo, mas no fim todo mundo ainda presta atenção aos novos discos da banda, que, verdade seja dita, ainda não se deitou sobre seus louros.

Sempre foi interessante ver como não só o U2, mas os seus companheiros de geração em geral, apesar de terem feito um cancioneiro vasto e de qualidade, raramente criaram os chamados standarts, aquelas canções que ganham diversas regravações e que nos dão a impressão que sempre estiveram por aí. "One" foi a música que mostrou que a geração dos anos 80 também tinha fôlego para criar canções tão duradouras quanto os maiores clássicos do rock das décadas passadas.

Nascida em um período complicado para o grupo, que sentiu que precisaria se renovar se quisesse continuar em evidência nos anos 90, "One" foi a música que mostrou que o grupo estava na direção certa e os impulsionou a terminar o disco "Achtung Baby" lançado em 1991.

A música se tornou não apenas o ponto central dos shows da banda dali pra frente como se mostrou versátil o bastante para ser interpretada tanto por Johnny Cash (que a gravou de forma tocante) quanto por Mary J. Blige que a levou novamente às paradas em 2005.

Nirvana letras
Nirvana: "Smells Like Teen Spirit"
É uma pena que o suicídio de Kurt Cobain tenha colocado a obra do Nirvana em outra perspectiva. Afinal, mais do que um mártir, ou um cara que revolucionou de fato o rock - talvez pela última vez, Cobain era um excelente compositor e o Nirvana uma foi grande banda barulhenta e pop na medida.

Quem viveu a época ainda deve se lembrar de como foi ouvir "Smells Like Teen Spirit", pela primeira vez em 1991 ou 1992, da excitação trazida por aquela música aparentemente banal de que os anos 90 finalmente haviam começado.

Essa é a sensação que deve ser buscada por quem já os ouviu até o limite da saturação, não só quando algum hit da banda tocar, mas principalmente ao se descobrir uma banda nova. A grande lição deixada por Kurt Cobain foi exatamente essa: a de que o rock sempre consegue se reinventar especialmente quando ele parece estar morto.

Massive Attack
Massive Attack: "Unfinished Sympathy"
A cidade inglesa de Bristol deu a luz ao trip-hop. Um novo gênero que juntava batidas de hip hop, dub jamaicano, rap, soul e rock psicodélico. Os dois maiores expoentes foram o Massive Attack e o Portishead (que poderia estar nessa lista com alguma música do disco "Dummy"). O Massive está aqui não só porque "Unfinished Sympathy" foi a pioneira do estilo, além de ser uma das melhores baladas soul dos últimos tempos, mas porque dava para ver que ali estava uma banda que ainda iria nos surpreender muito no futuro.

DivulgaçãoMetallica letras
Metallica: "Enter Sandman"
Desde 1983 o Metallica era a grande esperança do metal americano. Construindo sua reputação aos poucos, era inevitável que o mega-sucesso finalmente chegasse. E ele chegou em 1991 com o chamado "Black Album" e seu primeiro single: "Enter Sandman". Com seu riff simples e poderoso, gravado perfeitamente por Bob Rock, a música é um dos grandes momentos do rock dos anos 90.

Com o "álbum preto" o Metallica mostrou que era possível tornar o thrash metal palatável para as massas sem que isso significasse descaracterização.

DivulgaçãoPearl Jam letras
Pearl Jam: "Alive"
Que o Nirvana foi a banda mais importante dos anos 90 praticamente não se discute. Mas, entre as bandas e Seattle, Pearl Jam foi a mais bem sucedida, principalmente pelo fato de que, ao contrário da banda de Cobain, eles sempre acreditaram mais na mitologia do rock e seu passado de glórias.

Verdade seja dita, gostamos de ver nossos músicos favoritos como heróis e não como caras comuns, e ainda que o Eddie Vedder se esforce para parecer um qualquer, não é assim que seu público o vê.

O Pearl Jam sempre teve uma queda pelo som praticado nos anos 70 por gente como o Led Zeppelin, Neil Young e o Who além da influência do punk e do rock alternativo dos anos 80. Essa mistura agradou não só os mais jovens mas também aos fãs mais tradicionais de rock que transformaram a banda numa das maiores bandas cult de todos os tempos - daquelas que têm milhares de fãs dedicados o bastante para comprar vários álbuns ao vivo e singles raros e lotar arenas e estádios para vê-los.

"Alive" foi a canção que deu início a essa trajetória e está entre as músicas mais populares da banda, tanto que ela é a única presença obrigatória em todos os shows da banda.

Oasis
Oasis O Oasis em sua formação original
Oasis: "Live Forever"
A banda pode ter seus detratores, que nunca engoliram o exagerado culto ao passado proposto pela banda, ou a arrogância dos irmãos Gallagher. Por outro lado, o Oasis nos devolveu o prazer de se ouvir uma boa música pop de três minutos e de ter recolocado a Inglaterra no centro do rock mundial..

Entre os vários compactos do grupo, "Live Forever" sempre terá um destaque especial, mais até do que "Wonderwall", porque ela tem tudo de bom que o Oasis sabe fazer.

Aqui temos uma canção com melodia forte, instrumental enxuto e ainda uma das melhores interpretações de Liam Gallagher (que no futuro iria exagerar nos maneirismos dando mais lenha para quem detesta a banda). A letra também merece destaque, afinal depois de anos de escritores melancólicos, suicidas ou desesperados encontrar alguém otimista o bastante a ponto de querer "viver para sempre" era um alívio e tanto.

Pulp letras
Pulp: "Common People"
Um dos grandes pesares dos anos 90 foi o Pulp não ter repetido no resto do planeta o sucesso que tinha na Inglaterra. Se o senso de humor acurado e talento de contador de histórias de Jarvis Cocker tivessem sido mais ouvidos talvez o rock de hoje estivesse em um patamar mais adiantado e divertido. Apesar de ter estourado em 1996, no auge do britpop, o Pulp estava na estrada há vários anos (16 para ser exato) mas sempre à margem.

Tudo mudou com "Common People", uma música que misturava tecnopop dos anos 80 com vocais falados como os de Lou Reed nos versos e dramáticos como os de David Bowie no refrão. Isso tudo para contar a ótima história, baseada ao que se consta em uma história que de fato aconteceu, da garota rica que queria viver como uma "pessoa comum" e pediu dicas para o vocalista.

Underworld
Underworld: "Born Slippy"
Houve um período nos anos 90 em que muito se falou que o rock estava em um beco sem saída e que no tecno e na música eletrônica em geral é que estava o futuro.

Foi engraçado ver roqueiros de coração se arriscando em raves e tentando entender aquela nova música, que no final das contas, veio para somar e dar mais uma necessária sacudida no cenário musical.

Assim, vai ser difícil deixar de associar a segunda metade dos anos 90 aos breakbeats dos Chemical Brothers ou o tecno punk do Prodigy. Mas se tem uma música que segue causando comoção quando toca é "Born Slippy" do Underworld.

A música havia sido lançada sem muito estardalhaço em 1995. Um ano depois ela foi incluída na trilha do filme "Trainspotting", e estourou, fazendo até hoje o pessoal berrar "lager,lager,lager" quando a música toca seja na pista ou no palco.

DivulgaçãoRadiohead letras
Radiohead: "Paranoid Android"
No mundo do rock, a lei da física que diz que para cada ação existe uma reação é sempre válida. Em 1997 o Britpop começava a dar sinais de cansaço e era chegada a hora de uma nova guinada.

O Radiohead tem uma história curiosa: a princípio foram vistos com desconfiança em seu país porque fizeram primeiro sucesso nos EUA com a música "Creep". Para muitos aquele seria mais um caso de "one hit wonders" (artistas que fazem um grande sucesso e somem).

O segundo disco já foi mais bem recebido, mas demorou um pouquinho para a crítica se ligar que "The Bends" estava ganhando um enorme número de fãs e influenciando o surgimento de outras bandas.

Por conta disso, a expectativa para o terceiro disco era grande e "Paranoid Android", o primeiro single/aperitivo, mostrou que algo de muito sério estava para acontecer. A banda tinha entregado uma música com mais de 5 minutos e vários segmentos bem distintos entre si.

Houve quem achasse que era a volta do rock progressivo, outros falaram em "Bohemian Rhapsody" para o novo milênio. Mas o que importava mesmo é ver que com "Paranoid Android" (e o disco "Ok Computer") o Radiohead voltava a levantar a bandeira do rock experimental e futurista, para alívio de muitos. Essa veia da banda foi sendo aprofundada nos anos seguintes em discos cada vez mais herméticos e experimentais, que mesmo assim fazem enorme sucesso de público e crítica.

White Stripes letras
White Stripes: "Seven Nation Army"
No rock, o riff é provavelmente sua a moeda mais valorizada. Dá pra contar a história do gênero através deles e não tem banda que não se orgulhe quando cria um riff poderoso, daqueles com cara de clássico. Um riff assim, como o de "Seven Nation Army.

Pode-se achar Jack White um cara chato e arrogante ou reclamar que a baterista Meg White não sabe nem sentar no banco e quanto mais tocar bateria. O fato é que uma canção dessas é daquelas que justificam toda uma carreira.

Além dela ter se tornado o maior hit dos Stripes ela virou hino de arquibancada, grito de guerra da "massa funkeira" e, o mais importante, ela é daquelas músicas fáceis de se tocar, ou seja, muita banda e músico vai dizer que essa foi a primeira música que tocaram na vida.

OutKast letras
Outkast: "Hey Ya!"
Existem canções que simplesmente entram no inconsciente coletivo. "Hey Ya!" é assim, uma música que uniu por um momento fãs de pop, rock, rap e toda a crítica.

O Outkast - uma dupla formada por Big Boi e Andre 3000 - há tempos já vinha gravando discos e cativando público e jornalistas com sua mistura de rap, soul, funk e pop, que soava como um bálsamo no meio de tanto rapper misógino e metido a bandido.

Eles atingiram o auge com o CD duplo "Speakerboxxx/The Love Below", de 2003, na verdade um pacote com dois álbuns solo. "Hey Ya! estava no disco de Andre e tornou-se um hit instantâneo, que para sempre irá nos remeter aos primeiros anos do século XXI.

Beyoncé
Beyoncé: "Crazy In Love (feat. Jay Z)"
O novo século precisava de um símbolo, um rosto que deixasse claro que estávamos em um novo milênio. E essa face chegou na forma de Beyoncé, uma cantora que já era popular como principal integrante do Destiny's Child. Ainda assim poucos esperavam a hecatombe que foi "Crazy In Love".

A faixa já ganha o ouvinte com sua introdução (sampleada de "Are You My Woman (tell Me So)" dos Chi-Lites - e com seu ritmo quebrado. Tão ou mais importante que a canção, foi seu clipe, um dos mais sexys e hipnotizantes de todos os tempos. Ambas de qualquer forma deixaram algo bem claro: o pop do novo milênio já tinha uma rainha e seu nome era Beyoncé Knowles.

Arcade Fire letras
Arcade Fire: "Wake Up"
O som desses canadenses serviu de contraponto à música mais crua e raivosa praticada pelas outras bandas mais incensadas da primeira década do século 21. A música do Arcade Fire é ambiciosa, um tanto experimental e melancólica, mas forte o bastante para atingir o grande público e conquistar fãs notáveis como David Bowie, Bruce Springsteen e o U2.

"Wake Up" está em "Funeral", o álbum de estreia da banda que ganhou inúmeros elogios e os colocou no primeiro time do rock mundial.