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  • O ano de 2000 foi marcado por grandes concertos e encontros musicais. Em Abril ela se apresentou ao lado do tenor italiano Luciano Pavarotti, em Salvador (Bahia), em Maio fez um espetáculo com Caetano Veloso no Pavilhão Atlântico em Lisboa (Portugal), e na noite de 31 de dezembro diante de mais de 200.000 pessoas fez um show com Gilberto Gil no Farol da Barra (Bahia/Salvador).

    Maria Bethânia comemorou 35 anos de carreira em 2001, completados na verdade em 2000, (a data oficial de sua estréia profissional é 13 de Fevereiro de 1965, o dia exato em que subiu ao palco no show Opinião no Rio substituindo Nara Leão). E em dose dupla: o show de lançamento do novo álbum "Maricotinha" reuniria no dia 04 de Setembro no palco do Canecão, Rio de Janeiro, uma constelação de grandes nomes da MPB, como Chico Buarque, Caetano Veloso, e Gilberto Gil, prestando sua homenagem à diva.

    No repertório de "Maricotinha" quase tudo é novo: entre as inéditas estão "Dona do Dom" de Chico César, "Depois de Ter Você" (Adriana Calcanhoto), "Quando Você não Está Aqui" (Herbert Vianna e Paulo Sergio Valle), "Se Eu Morresse de Saudade" (Gilberto Gil) e "A Moça do Sonho" (Chico Buarque e Edu Lobo). Dentre as regravações, "Maricotinha", a canção-título de Dorival Caymmi, ganha um saboroso acento de samba baiano, e "Primavera" (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes) que é relida com emoção e sobriedade.

    Em 2002, Maria Bethânia surpreendeu ao lançar "Maricotinha ao vivo" pela gravadora independente "Biscoito Fino". O sucesso alcançado pelo álbum duplo, que vendeu mais de 100 mil cópias, mostrou que ela não estava errada. Com 49 faixas, gravado no Directv Hall, em São Paulo, registra o show "Maricotinha", apresentado em inúmeras capitais brasileiras. Além do repertório do último disco, o show apresenta antigos sucessos na voz de Bethânia, como "Álibi" (Djavan), "Ronda" (Paulo Vanzolini), "Anos dourados" (Chico Buarque e Tom Jobim), "Festa" (Luiz Gonzaga Júnior) e "Opinião" (Zé Kéti), esta última a música que lançou a cantora em 1965, quando substituiu Nara Leão no show de mesmo nome. Dirigido por Fauzi Arap, no espetáculo são recitados textos de Fernando Pessoa, Ferreira Goulart, José Vicente, Lya Luft, Sophia de Mello Breyner e Natália Correa.

    "Maricotinha ao vivo", um dos maiores sucessos da carreira, foi lançado também em DVD, em 2003. Desta vez, foi filmado na tradicional casa de espetáculos carioca, o Canecão. Além da apresentação no Rio de Janeiro, o DVD traz os videoclipes "A voz de uma pessoa vitoriosa", que mostra o Rio de Janeiro dos anos 60, e "Coração meu", vídeo composto por cenas fluviais e marinhas.

    Antes do DVD "Maricotinha ao vivo", Maria Bethânia lançou o álbum "Cânticos, Preces, Súplicas à Senhora dos Jardins do Céu", em que homenageia Nossa Senhora. Neste compacto, a cantora reafirma toda sua religiosidade, presente em quase toda sua obra. O disco começa com "Oferta de flores", peça de domínio público, de intenso caráter devocional, bastante popular no Recôncavo Baiano e nas procissões de Santo Amaro da Purificação. "Ave Maria", de Caetano Veloso, tem participação especial da cantora Nair Cândia. "O doce mistério de Maria", poema escrito por Fauzi Arap a pedido de Bethânia, tem seus versos complementados por "O Doce mistério da vida", versão de Alberto Ribeiro para "Ah! Sweet mistery of life", de Victor Herbert, que já havia sido gravada em português pela própria cantora, nos anos 70. Além de novenas de Domingos de Faria Machado, o disco tem "Ave Maria", de Schubert, "Mãe de Deus das Candeias", com Gilberto Gil na voz e no violão. Tem ainda "Ladainha de Santo Amaro", escrita pela irmã Mabel Velloso para o aniversário de 50 anos de Bethânia, e "Ladainha de Nossa Senhora", recitada pela mãe, dona Canô Velloso. A cantata "Magnificat", de Johann Sebastian Bach, encerra o disco em grande estilo.

    Bethânia reafirmou sua independência em 2003. Inaugurando seu selo "Quitanda" dentro da "Biscoito Fino", a cantora lançou "Brasileirinho". Ela classificou o disco como um release, que mostraria o panorama de sua nova empreitada fonográfica. No entanto, "Brasileirinho" parece ter superado as expectativas, conquistando crítica e público. Com participações especiais de Miúcha, Nana Caymmi, do grupo Tira Poeira, formado por cariocas, gaúchos e catarinenses, na música "Padroeiro do Brasil" (Ary Monteiro e Irany de Oliveira), e do grupo experimental mineiro Uakti na faixa "Salve as Folhas", o disco viaja pelos diversos brasis do interior. As faixas são intercaladas com intervenções poéticas de Ferreira Gullar, recitando "O Descobrimento", de Mário de Andrade, e de Denise Stoklos, que interpreta "O poeta come amendoim", também do escritor paulista. Bethânia ainda declama Guimarães Rosa. Canta a metáfora do navio negreiro, entre a África e o Brasil, em "Yáyá Masemba" (Roberto Mendes e Capinam), lembra o santo casamenteiro "Santo Antônio" (Jota Velloso). "Capitão do Mato" (Vicente Barreto e Paulo César Pinheiro) e "São João Xangô Menino" (Caetano Veloso e Gilberto Gil). "Boiadeiro" (Armando Cavalcanti e Klecius Caldas) lembra Pernambuco de Luiz Gonzaga, enquanto "Cigarro de Palha" remete às Minas de Guimarães Rosa. Encerra o disco com "Pátria Minha", de Vinicius de Moraes e com "Melodia sentimental", de Villa Lobos.

    No ano seguinte foi lançado o registro do show do disco "Brasileirinho", gravado ao vivo no Canecão, em DVD. O repertório extrapola o álbum e conta com 36 faixas, retomando as parcerias com Miúcha, Nana Caymmi, e com os grupos Uakti e Tira Poeira, que participam mais do espetáculo. Estão presentes também as intervenções poéticas feitas tanto por Denise Stoklos e Ferreira Gullar, como pela própria Bethânia. Nos "extras", um making of do espetáculo com entrevistas, além da versão exclusiva de "Trenzinho Caipira" e de versões em close de "Cigarro de Paia" e "Motriz".

    Quase como continuação de "Brasileirinho", Bethânia produziu a homenagem "Namorando a Rosa", para Rosinha de Valença. Violonista, Rosinha teve grande participação na carreira de sucesso de Bethânia. Dirigiu seu espetáculo "Comigo me Desavim", em 1967, e gravou "Cheiro de Mato", álbum de 1976 que influenciou a obra da cantora baiana. O disco tem 13 músicas, com uma gravação de Rosinha de Valença e faixas interpretadas por Chico Buarque, Bebel Gilberto, Maria Bethânia, Yvone Lara, Delcio Carvalho, Yamandú Costa, Alcione, Martinho da Vila, Turíbio Santos, Joanna, Miúcha, Hermeto Pascoal e Caetano Veloso.

    Em 2005, outra homenagem, desta vez mais pessoal, ao poeta Vinicius de Moraes. São 15 faixas nas quais Bethânia interpreta parcerias do "poetinha" com Antonio Carlos Jobim, Garoto, Chico Buarque, Carlos Lyra, Baden Powell, Toquinho, Adoniran Barbosa, Jards Macalé, além de uma versão de Caetano Veloso para "Nature Boy" (Eden Ahbez) e de um antigo registro de voz de Vinicius, recuperado por ela. O disco não deixa de ser uma retribuição de Bethânia à música "O mais-que-perfeito", de Vinicius e Macalé, que ratificou a generosidade visionária do poeta ante a geração de Bethânia, Caetano, Chico, Edu e do próprio Macalé.

    Fonte: Site Oficial
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