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Tulevisão de Matuto / Retrato Falado

Léo Pinheiro


Seu dotô, num leve a mal!
Num sô mal agradecido
Mas preciso devolvê
O presente recebido
Qui só causô confusão
Essa tar? tulevisão?
Eita, caixote inxirido!

Meus minino, coitadinho
Já num come mais marmita!
Só querem Eme Cê Donáud
A mãe deles fica aflita
Maqui xique, maqui fixe
Maqui o diacho todo, vixe!
Má qui coisa esquisita!

Tem um tar de videogâmi
Um que tem uns? plei? no nome?
Que deixa os minino doido
Só param quando a luz some!
Tem uns bicho dos inferno!
Uns barulho tão muderno
De dá medo em Lubisômi!

Inté mermo minha mulé
Sempre tão respeitadera
Quis quebrá o pau cumigo
Por causo de uma besteira
Porque viu esta manhã
Um tar Jorge Foremã
Vendeno uma frigideira!

A minha filha mais velha
O sinhô veja se isso pode!
Disse qui qué viajá!
Quando eu nego, se sacode!
Qué ir prus Rio de Janeiro
Diz qui vai ganhá dinheiro
Com um tar um big bródi!

Minha sogra, na cozinha
Cada dia inventa um prato
Só num faz tripa de bode
Num faz bucho nem faz fato
Só cumida da istrangêra
De uma lôra faladêra
E de um papagaio chato!

Um dia, eu pensei cumigo
Pra qui toda essa agonia?
Só por causo de um caixote
Que só mostra fantasia?
Resolvi sentá um pouco
Mermo achando qui era louco!
Mas pra vê se entendia?

E o qui eu vi me fez tremê?
Seu dotô, eu nem te conto!
Foi tanta barbaridade
Qui eu quase qui fico tonto!
E ói qui eu sô macho que só!
Nunca dei ponto sem nó
E nem nó fora do ponto!

Vi uns homi bem vestido
Remexendo as duas mão
Dizendo qui era pastor
Mas num vi as cabra não!
Apontava lá pra Cruz
Se diziam de Jesus
Mas só falavam no Cão!

Retrato Falado

Eu conheço aquele paraíba, eu já conheço
Esse paraíba que não larga o osso
Que banca o esperto, e sempre almoço
E no final inventa uma barata na sopa

Tou na cola desse paraíba maconheiro
Esse paraíba é um que cospe grosso
Que bate perna mais noves fora
Paraíba faz as coisas tudo nas cocha

Você já cruzou com um Paraíba, com certeza
Esse par é a cara desse outro
Que bate prego, que perde a hora
Todo paraíba tem um pente no bolso

Paraíba é cabra, não é gente, eu sinto cheiro
Essa gente a gente a gente reconhece é na roupa
Que troca a perna, engole cobra
Paraíba de verdade nem tem pescoço

Compositor: Rodrigo Sestrem / Raíque Mackau

Letra enviada por Renato Araújo

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