Nas Águas da Vida

Júlio Cézar Leonardi

Sou Fandangueiro


Quando se rebenta a taipa das nuvens, e o céu desemboca no mundo da gente,
milícias de pingos, ao som de trovões, levam água abaixo, a vida, na enchente;
o vento cantando na quincha das casas é trilha sonora do tempo em bochincho;
animais ilhados, taureando o aguaceiro, que afoga clamores de grito e relincho.

Que Deus nos ampare nas águas da vida,
e a crença dos homens não se vá ao fundo;
que a enchente do ódio seja passageira,
e o amor retire o lodo do mundo.



Cada rancho é um porto, esperando a volta do sol, atracando no cais da esperança;
pequenas enchentes inundam os olhos de quem vê a perda que a água balança;
quando a natureza ameniza a fúria, se apaga o luzeiro, se cala o trovão;
é hora dos seres, num mar lamacento, começar de novo, com os pés no chão.

Que Deus nos ampare nas águas da vida,
e a crença dos homens não se vá ao fundo;
que a enchente do ódio seja passageira,
e o amor retire o lodo do mundo;
que Deus nos ampare nas águas da vida,
e a crença dos homens não se vá ao fundo;
que a enchente do ódio seja passageira,
e o amor retire o lodo do mundo.

Compositor: Dionísio Costa, Luiz Carlos Lanfredi

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