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Sertão Matuto

João Vilarim


Sertão matuto
João Vilarim

Nada se compara com a vida na roça a simples palhoça no alto da serra
O canto do galo acordando o terreiro o gado leiteiro o bezerro que berra
O sol apontando dispersando a relva a orquestra da selva se mostra a cantar
O caboclo matuto se embrenha no mato com um fino trato sua mão a calejar

No fogão de barro a lenha queimando espalhando a fragrância do amanhecer
Um leite tão puro vindo da mangueira o café na chaleira pro fogo aquecer
O queijo curado e a broa de milho tratando dos filhos para estudar
Lá pras dez e pouco prepara a merenda debaixo da tenda pra saborear

Um solo tão rico tão acolhedor de braços abertos para aconchegar
A muda de planta ou a nova semente esforço veemente pro pão não faltar
A água caindo no chão fecundando misturada ao pranto do trabalhador
Na beira da bica reduz o seu passo lavando o mormaço, o cansaço e o suor

Na hora da reza o sertão em prece à Deus agradece a boa ventura
A horta, a tuia, o pomar e a moenda, repleto de prenda cheio de fartura
No céu vermelhado o Rei se despede promete no outro dia retornar
A noite descamba repleta de estrelas e a Rainha faceira vem iluminar

No fim de semana chega a regalia com uma pescaria para relaxar
Nas festas da roça tem muita alegria, dança de catira pra sapatear
O som da sanfona alegra o terreiro e um bom violeiro pras modas cantar
Trazendo o passado perto do presente fazendo a saudade vir nos visitar

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