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    O céu está tão negro ao meu redor,
    com nuvens da cor do basalto
    e no chão deste asfalto
    há uma vala difícil de transpor.

    Ao longe se vislumbra o mar na imensidão
    que como um sonho se transfigura
    numa graciosa e doce figura
    duma musa, apertando um coração.

    Não apertes tanto, sacarino céu,
    que pode o azul se alterar, fundir a glicose
    e pingo a pingo remanescer a osmose
    destas células impulsivas que vibram no breu.

    Se a musa se vestisse da cor do amor,
    como tantas vezes se vestiu.
    Se beijasse o que este céu expeliu.
    Oh, delirante sentimento, inquietador!

    Vem a meus braços musa minha,
    se é que és minha de algum modo.
    Inspiração tu és e me incomodo!
    Bailam as palavras na loucura, se adivinha!

    Letra enviada por João Morgado
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