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    Procuro uma ternura inesperada
    Que me aperte contra este peito que enfuno
    Uma flor sedenta de orvalho na beira da estrada
    Meu canto de manhãs de outono

    Grito de alegria
    Do corpo estendido no relvado
    Só o azul é devassado pela ironia
    Dum sonho de juventude estagnado

    Procuro o fruto das nuvens de poesia
    Chamo por ti, meu mono, meu fado
    Minha simples filosofia

    Qual pássaro, qual navio, qual estrada
    Procuro-te nas ruas, na cama, em todo o lado
    Quando se sonha a inspiração surge agitada!

    Letra enviada por João Morgado
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