Tapera Caída

Israel e Rodolffo


Vasculhando rastros na memória
Refiz a história por onde passei
Veio a tona a simplicidade
Da comunidade onde me criei

Nossa casa feita de madeira
Esteia aroeira a beira da lagoa
A pinguela que gente usava
Quando a água baixava
Entranhava a canoa

Os caminhos que a gente seguia
Raramanete via um carro transita
A gente até se emocionava
Quando escutava um avião zua

A roça tocada na meia
Era dividida com nosso patrão
Não se usava a tecnologia
Plantava e colhia com força da mão

Do paiol ao lado do chiqueiro
Se via o mangueiro e muita criação
No pomar tinha variedade
Frutas a vontade e um engenho bão

A pequena horta produzia
Verdura sadia que dava prazer
No curral o leite era tirado
Limpo e asseado pronto pra beber

Más na vida nada é permanente
Então por isso a gente deve aproveitar
Não prevemos o nosso amanhã
O rumo que o destino pode nos levar

Hoje olho e me vejo no espelho
Meus olhos vermelhos da poluição
Na fazenda a tepéra caída
Igual minha vida longe do sertão

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