Rivotril

Isabella Taviani


Sou eu que te escreve essa carta
Tudo jĂĄ foi, tĂĄ falado
mas hĂĄ palavras nĂŁo gastas
Sou eu quem te acorda de madrugada
Nos teus pesadelos medonhos
na sua fronha molhada

Eu que te implorava por mais sossego
Eu acusada do seu renego
Eu que pedia perdĂŁo sem ter cometido erro

Agora nĂŁo sou mais porque
Agora nĂŁo tem mais vocĂȘ
Sou eu quem encontra numa encruzilhada
Sou que te empurra no vĂŁo da escada
e te compra um picolĂ© pra vocĂȘ nĂŁo chorar mais
Sou eu, o monge do seu monastério
As gotinhas do teu remédio
Que nĂŁo vĂŁo livrar vocĂȘ do tĂ©dio

Sou eu quem te fala verdade
VocĂȘ foi o fim da picada, uma faca afiada
Sou eu que bebi teu chorume
Da mente perversa, espremida, barato o perfume
Foi eu quem mastiguei o meu orgulho
Tranquei meu coração no teu quarto escuro

Agora nĂŁo sou mais porque
É que agora nĂŁo tem mais vocĂȘ
Sou eu que encontra numa encruzilhada
Sou que te empurra no vĂŁo da escada
e te compra um picolĂ© pra vocĂȘ nĂŁo chorar mais
Sou eu, o monge do seu monastério
As gotinhas do teu remédio
Que nĂŁo vĂŁo livrar vocĂȘ do tĂ©dio

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