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Cidadão

Emicida

Pra Quem Já Mordeu Um Cachorro Por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe...


Os moleques frio no asfalto quente, igual eu.
Tossindo e comentando sobre os amigos da gente que morreu.
(Foi!) Virou passado, por não tá mais presente.
Igual os valor esquecido por não ter cifrão na frente.
Mó friaca, tio. Deixa eu botar meu moletom.
Vendo os gambé zoando os que é menino bom.
Ponho o boné e sigo na fé, nego nem óia.
Atravesso a rua pois se passa perto móia.
Trago no olhar a luz do poste fria, sem esperança.
Me guia, teus holofote é que cria minha temperança.
Minhas lembrança é trote, eu via.
Que a nossa herança é um cobertor na calçada que ia envolvendo as criança.
É embaçado, eu vou levar como carma.
Meus vizinhos saber menos nome de livro que de arma.
E a máquina que faz Bin Laden, trabalha a todo vapor.
Solta na Babilônia, ensina a chamar rato de senhor.
Nós tá na fila do emprego, mantimento, visita.
Vive pra ser feliz e morre triste, ó que fita.
As pessoas se esbarra, se olha, se cala.
Não pede ou cobra desculpa, porque ninguém mais se fala (memo).
Joga lixo no chão, como se fosse um lugar à esmo.
Aí da enchente, os mesmos reclamam do governo.
Que não governa nada, tá nem pro mal nem pro bem.
Ia governar como, se aqui ninguém ouve ninguém.
Minha cidade trampa 24 horas por dia.
Os que não morrer de tédio, morre de asfixia.
A CIA monitora isso que cê faz agora.
Mas não interfere, só fere, o pai da criança que chora.
Nosso sofrimento dá prêmio pra quem se esconde em bairro nobre.
Tô cheio disso, igual as cadeias cheias de pobre (porra!).
Cidadania onde? Nós cuspiu na lei de Gandhi.
É quente memo, cidadão é uma cidade grande.
A rua é nóiz!

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