Matutando

Eduardo Dias

Sarakura mirá


Tava na beira, tava na beira do rio
E lá de fora o apito do navio

Aqui no norte tem disso e daquilo
Cuidado cumpadre eu digo
Tem hora que eu me alembro
Tem hora que eu me arrependo
Por isso pode esperar

Xexéu no galho do ninho
Caba de espreita na torre sino de igreja
Seu padre abenção
Freira valei-me santa senhora
Cigarra canta no pau

Na minha terra caboco
Tem uma lenda
Da cobra que diz a crença
Debaixo da terra dorme
Enorme no seu incante
Com o rabo pro rio-mar

E no retiro as onças como o gado
Vaqueiro é bom no laço
Ribite joga feitiço
Curado tem uns mestiços
E uns negos lá do matá

Toco vida ponteio
Não desafino
Se canto é por destino
Não xingo mas desconfio
Cachorro late no teso
Não corro falo por mim

Por muitas léguas de águas rio encantado
Tem moça peito apontado
Disseram lá no roçado
Tem um moço apaixonado
E um outro que canta assim

E lá de fora o apito do navio
Banzeiro lambendo beira
Boceja vento no cio
Morena se tu me beija
O que vai ser será de mim

Já fui beirando cantando
Por toda terra me espere
Que ando com cristo
São josé e são benedito
Cantadô muito benquisto
Mas agora eu vou partir

Tava na beira, tava na beira do rio
E lá de fora o apito do navio

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