Batendo Cangaia

Cesar Oliveira & Rogério Melo


# Camila L. Moraes.

A ânsia é baguala por baile me adula, pois hoje
faceiro
me juntei com uns pila e logo de noite o retoço é uma
fula, e logo de noite o retoço é uma fula, com china
e
cordiona no ranço da vila.
Banho de sanga e os trajes de gala me fazem teatino
cruzador de estrada, mas se uma morena me tenteia o
pala, mas se uma morena me tenteia o pala troco de
rumo nesta madrugada.
O tio pequeno enruga a sobrancelha a gaita velha se
arrasta num choro até de espora a indiada sapateia, e
a sala fica igual cova de touro.
Depois de um dia lidando com o gado banho e refugo
na estância e no posto, venho no rasto das beiço
pintado, talvez na farra eu encontre um encosto.
Sou índio quebra crioulo da costa, lá plantando
nasce e o que nasce se cria eu sou bagual mas é assim
que ela gosta, então deixa que corra o mês por trinta
dia.
A lua cheia espia nas frestas a polvadeira na
quincha se agarra e eu de chapéu bem quebrado na
testa, e eu de chapéu bem quebrado na testa, procuro
a
volta mais mansa na farra.
Sigo metendo, pois tirar não custa: conforme o dito
é assim que se faz, dançando frouxo um cambicho se
ajusta e se atraco não afrouxo mais.
Nesta rancheira passo a noite inteira, me
destorcendo e batendo cangaia meio lunanco num tranco
socado, mas bem agarrado num rabo de saia.


por: camila moraes. #

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