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Nasceu em 7 de agosto de 1942

1942 - 7 de agosto Nasce Caetano Emanuel Vianna Telles Velloso, o quinto dos sete filhos de José Telles Velloso, funcionário público do Departamento de Correios e Telégrafos, e de Claudionor Vianna Telles Velloso. Em Santo Amaro da Purificação, pequena cidade do Recôncavo Baiano, próxima de Salvador.

1946 - 18 de junho Nasce em Santo Amaro da Purificação o sexto filho de seu Zezinho e dona Canô (como sempre foram chamados os pais de Caetano). À época, o cantor Nelson Gonçalves faz grande sucesso com uma música chamada Maria Betânia (de Capiba), e é assim que o pequeno Caetano quer que a sua recém-nascida irmã se chame. Assim será.

1947 - O menino revela pendores artísticos, demonstrando gosto por música, desenho e pintura. No rádio, ouve os cantores da música brasileira em voga, como Luiz Gonzaga; na cidade, os sambas de roda e os pontos de macumba.

1952 - Faz uma gravação única, para desfrute familiar, cantando "Feitiço da Vila" (de Vadico e Noel Rosa) e Mãezinha querida (de Getúlio Macedo e Lourival Faissal), hit de Carlos Galhardo. Ao piano, quem o acompanha é a irmã Nicinha.

1956 - Passa uma temporada no Rio de Janeiro, onde frequenta o auditório da Rádio Nacional, palco de apresentações dos maiores ídolos musicais brasileiros de então.

1960 - Muda-se com a família para Salvador. Depois de fazer o curso ginasial (correspondente às séries de quinta à oitava do atual primário) em Santo Amaro da Purificação, começa a cursar o colegial, ou clássico (equivalente ao atual secundário).

1961 - Intensifica-se o seu interesse por música - graças à Bossa Nova, particularmente ao cantor e violonista baiano João Gilberto; por cinema - graças ao Cinema Novo, particularmente ao diretor Glauber Rocha, também baiano; e por teatro. Na universidade local, uma programação de eventos instaura um ambiente modernizador e vanguardista. Enquanto absorve essa atmosfera, Caetano escreve críticas de cinema para o Diário de Notícias, cuja seção cultural é dirigida por ninguém menos que Glauber Rocha. Ele aprende violão, e canta com a irmã Maria Bethânia em bares de Salvador. Na TV, aprecia quando, às vezes, aparece um cantor novo, chamado Gilberto Gil. É numa dessas aparições que sua mãe, dona Canô, o chama, dizendo: Caetano, vem ver o preto que você gosta.

1963 - Ele ingressa na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia. Finalmente conhece Gilberto Gil, a quem é apresentado pelo produtor Roberto Santana, e inicia amizade também com Gal Costa (ainda Maria da Graça, à época) e Tom Zé. O primeiro trabalho musical: a trilha sonora da peça O boca de ouro, de Nelson Rodrigues, em montagem do diretor baiano Álvaro Guimarães, que o convida também para compor a de A exceção e a regra, de Bertolt Brecht. São trabalhos importantes para que ele se decida a ser cantor-compositor.

1964 - Junho Um marco histórico: o show Nós, por exemplo, com Caetano, Gil, Bethânia, Gal e Tom Zé, entre outros, integra os eventos de inauguração do Teatro Vila Velha, onde será reapresentado em setembro. Misturando canções e textos, Nós, por exemplo acabará influenciando a concepção de espetáculos de estrutura semelhante que virão a ser feitos no Rio de Janeiro e em São Paulo pouco depois.

1965 - Um marco de particular importância para Caetano: em Salvador, conhece João Gilberto - para ele, um dos artistas mais importantes do Brasil e uma das principais referências de sua trajetória artística.
Início do ano A Bahia de então fica pequena para a grandeza da cabeça e do coração do artista. Já ressentido do provincianismo local, ele abandona a faculdade e acompanha sua irmã Bethânia, chamada ao Rio para substituir a cantora Nara Leão no show Opinião. Gil, Gal e Tom Zé também se transferem para o sul do Brasil.
Maio Gravação do primeiro compacto simples (single) de Caetano, com Cavaleiro e Samba em paz, ambas de sua autoria, pela RCA. Pela mesma gravadora, e também num compacto simples, Bethânia lança É de manhã, dele, no outro lado de Carcará, que projetará a cantora nacionalmente. Segundo semestre Participação, ao lado de Gil, Gal, Bethânia e Tom Zé, no espetáculo Arena canta Bahia, dirigido por Augusto Boal e apresentado no TBC, em São Paulo. Tem músicas incluídas no curta-metragem Viramundo, dirigido por Geraldo Sarno.

1966 - A Revista Civilização, no seu número sete, publica um depoimento de Caetano em que ele fala da necessidade da retomada da linha evolutiva da música popular brasileira a partir das lições mais fundamentais da bossa nova. É uma das primeiras manifestações teóricas do artista-crítico, pensador da arte, Caetano Veloso.

Junho- Estreando na era dos festivais que sacudiram a MPB nos anos 60, ele concorre, em São Paulo, no Festival Nacional da Música Popular, da TV Excelsior, com Boa palavra; a canção, defendida por Maria Odette, classifica-se em quinto lugar.

Outubro- O grande poeta da canção começa a ser reconhecido como tal. A sua Um dia recebe o prêmio de melhor letra, no 2º Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record, de São Paulo.

1967 - Caetano arrasa em Esta noite se improvisa, programa da TV Record que promove disputas nas quais os artistas participantes exibem seus conhecimentos de música popular; passa a se tornar mais conhecido. Compõe a trilha do filme Proezas de Satanás na terra do leva-e-traz, de Paulo Gil Soares.

Julho- Contratado pela Philips, gravadora pela qual sairão todos os seus discos de agora em diante, Caetano lança seu LP de estréia, Domingo, dividido com Gal Costa; do repertório, constam Coração vagabundo e Avarandado, entre outras. O disco mostra uma filiação do artista à bossa nova; no texto na contracapa, porém, ele avisa: Minha inspiração agora está tendendo para caminhos muito diferentes dos que segui até aqui.
Outubro A apresentação de sua marcha Alegria, alegria, ao som das guitarras elétricas do conjunto pop argentino Beat Boys, enlouquece o 3º FMPB, da TV Record, juntamente com a cantiga de capoeira Domingo no parque, de Gilberto Gil, com acompanhamento d'Os Mutantes. As duas canções se classificam, respectivamente, em quarto e segundo lugares. São os baianos rompendo com a tradição na nossa música.

Novembro- Alegria, alegria é lançada em compacto simples. A essa altura, já está em curso o Tropicalismo, movimento de vanguarda que abalará nossas estruturas musicais e culturais, com consequências notáveis até hoje. O movimento aplica e atualiza, num contexto de massa, a filosofia antropofágica do modernista Oswald de Andrade, que propôs o reprocessamento de informações estrangeiras para a criação de uma arte brasileira e original. Estabelece também uma ponte entre o rural e o urbano, a alta e a baixa cultura, a de bom e a de mau gosto. Público, crítica e artistas - entre tropicalistas e esquerdistas engajados - se dividem. Na imprensa, o poeta Augusto de Campos saúda o grupo baiano que o promove. Quanto a Caetano, eu organizo o movimento, canta ele, na canção-manifesto Tropicália.

21 de novembro- Um happening ocorre em Salvador e repercute nas revistas de todo o país: o seu casamento pop-tropicalista com a baiana Dedé Gadelha (ela de mini-saia).

1968 - Janeiro- Gravação de seu primeiro LP individual, Caetano Veloso. No disco ressaltam grandes e memoráveis clássicos como Alegria, alegria, a emblemática Tropicália, Soy loco por ti, América (esta, de Gil e Capinan), No dia que eu vim-me embora e Superbacana.

Maio- Lançamento de compacto simples contendo leitura tropicalista da antiga Yes, nós temos bananas, de João de Barro e Alberto Ribeiro.

Julho- Lançamento de Tropicália ou panis et circensis, LP coletivo de que participam Caetano, Gil, Gal e Tom Zé, além dos maestros e arranjadores eruditos Rogério Duprat, Julio Medaglia e Damiano Cozzella. O elenco de autores inclui ainda os poetas-letristas tropicalistas Torquato Neto, piauiense, e Capinan, baiano. Com Caetano, o repertório destaca Baby, dele, e uma recriação de Coração materno, de Vicente Celestino.

Setembro- Caetano é vaiado ao apresentar sua É proibido proibir na eliminatória paulista do 3º Festival Internacional da Canção (FIC), da TV Globo, no Teatro da Universidade Católica, de São Paulo. Vestido com roupa de plástico, ele lança de improviso um histórico discurso contra a platéia e o júri. 'Vocês não estão entendendo nada', grita. A canção é desclassificada. Sai em compacto simples.

Novembro- Interpretada por Gal, sua Divino, maravilhoso, parceria com Gil, tira o terceiro lugar do 4º FMPB - do qual ele participa como intérprete, defendendo Queremos guerra, de Jorge Ben. O programa de vanguarda Divino, maravilhoso estréia na TV Tupi, de São Paulo. Com todo o grupo tropicalista, aprontando mil e uma. Caetano lança um compacto duplo (EP) que inclui gravação de A voz do morto, samba que é censurado, sendo o disco recolhido das lojas.

Dezembro- Lançamento de Atrás do trio elétrico, dele próprio, e Torno a repetir, de domínio público, em compacto simples. Dias antes do Natal, a última apresentação de Divino, maravilhoso. A barra estava ficando cada vez mais pesada.

27 de dezembro- O terror do negror dos tempos sinaliza para Caetano e Gil. O Ato Institucional nº 5, que acirrou a ditadura militar e cerceou a liberdade artística no Brasil, tinha sido editado havia somente duas semanas. É nesse momento que os dois são presos em São Paulo sob o pretexto de terem desrespeitado o hino nacional e a bandeira brasileira. São levados para o quartel do Exército de Marechal Deodoro, no Rio, e têm suas cabeças raspadas.

1969 - Fevereiro- Na Quarta-Feira de Cinzas, Caetano e Gil são soltos e seguem para Salvador, onde têm de se manter em regime de confinamento, sem aparecer nem dar declarações em público.

Abril e maio- Caetano grava as bases de voz e violão que são mandadas para São Paulo, onde Rogério Duprat fará os arranjos e dirigirá as gravações de seu novo disco, Caetano Veloso.

Julho- Após dois shows de despedida, dias 20 e 21 no Teatro Castro Alves, Caetano e Gil partem com suas mulheres, respectivamente as irmãs Dedé e Sandra Gadelha, para o exílio na Inglaterra. O espetáculo, precariamente gravado, se transformará no disco Barra 69, de três anos mais tarde. Na swinging London da época, os dois casais se estabelecerão no bairro de Chelsea.

Agosto- Lançamento de Caetano Veloso. O álbum é o único de toda a discografia do artista que não traz uma foto sua na capa - toda branca. Não poderia; de que jeito se explicaria o pouco cabelo de Caetano? Quanto ao LP, ele traz, entre outras, Atrás do trio elétrico e Não identificado, do próprio, e célebres recriações de Carolina, de Chico Buarque, e Cambalache, tango de E.S. Discépolo.

Novembro- Lançamento de compacto simples com Charles, anjo 45, de Jorge Ben, e Não identificado.

1970 - De Londres, Caetano envia artigos para o tablóide carioca O Pasquim e canções novas para intérpretes como Gal Costa (que recebeu London, London, um hit), Maria Bethânia (A tua presença), Elis Regina (Não tenha medo), Erasmo Carlos (De noite na cama) e Roberto Carlos (Como dois e dois). Um marco: assiste o show dos Rolling Stones. Começa a se apresentar por palcos da Inglaterra e de outros países da Europa.

Segundo semestre- Lançamento na Inglaterra do seu primeiro disco concebido e gravado no exílio, Caetano Veloso, pelo selo Famous, da Paramount Records. No repertório, seis canções escritas em inglês - entre elas, London, London e Maria Bethânia - e uma pungente recriação de Asa branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. A gravação de Asa branca exprime a profunda tristeza que Caetano vivia por estar longe do Brasil. I don't want to stay here / I wanna to go back to Bahia, dizia uma canção de sucesso à época, Quero voltar pra Bahia, de Paulo Diniz, feita para ele.

1971 - Janeiro- Com permissão para ficar um mês no Brasil, Caetano vem ao país para assistir à missa pelos quarenta anos de casamento de seus pais. No Rio, militares praticamente o sequestram para um interrogatório, no qual pedem que ele faça uma canção elogiando a rodovia Transamazônica, então em construção. Estamos no período do governo mais ditatorial do regime militar: o do presidente Garrastazu Medici.

Junho- O primeiro disco inglês de Caetano sai no mercado brasileiro pela Philips. Agosto Caetano volta ao Brasil. Visita a família, na Bahia. Apresenta-se na TV Globo e, na TV Tupi, participa, com Gal Costa, de um programa especial com João Gilberto: um encontro histórico. Aproveita ainda para deixar gravado um frevo novo para o Carnaval do ano seguinte, Chuva, suor e cerveja.

Segundo semestre- Grava e lança outro LP em Londres pelo selo Famous, da Paramount Records: Transa, com cinco músicas compostas em inglês, mais Triste Bahia (sua musicalização de trecho de soneto do poeta barroco baiano Gregório de Mattos) e Mora na filosofia (de Monsueto Menezes).

Dezembro- Lançamento do compacto duplo O carnaval de Caetano, com cinco músicas, entre elas Chuva, suor e cerveja, que fará um grande sucesso no carnaval seguinte.

1972 - Janeiro- Lá vem o mano, o mano Caetano / Ele vem sorrindo, ele vem cantando / Ele vem feliz pois ele vem voltando. Alegria, alegria: para cumprir a promessa de felicidade da música de Jorge Ben - sucesso na voz de Beta, a mana Bethânia -, ele volta, finalmente.

Fevereiro- Lançamento de Barra 69, o registro do último show de Caetano e Gil antes do exílio. Entre as faixas, Cinema Olympia, de e com Caetano, e o hino do Esporte Clube Bahia, de Adroaldo Ribeiro da Costa, com ele e Gil.

Março- Lançamento de Transa no Brasil, com capa em formato inusitado, tridimensional, em estilo chamado de discobjeto. Caetano e Gil (que havia voltado em fevereiro) marcam seu retorno com um show no Teatro Municipal, do Rio. Um outro show, individual, de Caetano, estreará no Tuca, em São Paulo, e percorrerá outras grandes cidades do país. Nele, com novo visual, meio hippie, Caetano choca parte do público ao se apresentar imitando trejeitos de Carmen Miranda.

Maio- Caetano e Gil lançam um compacto simples, com Cada macaco no seu galho, de Riachão, e Chiclete com banana, de Gordurinha e Almira Castilho.

Segundo semestre- Caetano produz o disco Drama - anjo exterminado, um dos principais da carreira de Maria Bethânia e de toda a produção do período. Compõe a trilha sonora de São Bernardo, filme de Leon Hirszman a partir do romance homônimo do escritor Graciliano Ramos. No ano seguinte, a trilha receberá o prêmio de melhor música do Festival de Cinema de Santos.

10 e 11 de novembro- Divide com Chico Buarque um show no Teatro Castro Alves, em Salvador, com a participação do grupo vocal MPB-4; o espetáculo, gravado para se transformar em disco, serve para desmentir rumores de desavenças entre os dois artistas.

22 de novembro- Um quiçá Moreno nem vai querer saber qual era. Nasce, em Salvador, seu filho com Dedé Veloso. Para cumprir o que estava implícito no verso da canção Júlia / Moreno (Araçá azul), o menino é batizado com o nome de Moreno Veloso.

Dezembro- Lançamento do LP Caetano e Chico juntos e ao vivo; entre as faixas, músicas de Chico (como Partido alto, um dos hits do disco) cantadas por Caetano, e de Caetano por Chico, além de um medley com duas em dueto (Você não entende nada / Cotidiano, respectivamente de Caetano e Chico), outro enorme sucesso.

1973 - Janeiro- Caetano lança Araçá azul, seu novo LP individual, que surpreende o público pelo seu grau de experimentalismo anticomercial. O disco terá um grande número de devoluções e será retirado de catálogo. À época, ele lança também um compacto simples com Um frevo novo, dele, para o carnaval.

Março- Início de apresentações pelo interior do Brasil, seguindo o roteiro dos circuitos universitários, procedimento que começou a se tornar comum então.

Maio- Apresentação no evento Phono 73, série de shows promovidos pela gravadora Philips com todo o seu elenco nacional, no Anhembi, em São Paulo. Surpresa: Caetano canta música do cantor e compositor Odair José, considerado brega: Eu vou tirar você deste lugar.

Dezembro- Lançamento de compacto simples contendo música nova - Deus e o diabo - para o carnaval.

1974 - Caetano investe numa nova atividade no meio musical, a de produtor. Neste ano, produz o novo LP de Gal Costa, Cantar (que inclui duas canções suas, uma delas Lua, Lua, Lua, Lua), um marco na trajetória da intérprete, e Smetak, do músico experimental, radicado na Bahia, Walter Smetak.

Início do ano- Faz com Gil e Gal um show no Teatro Vila Velha, em Salvador, que, gravado, se transformará no álbum Temporada de verão.

Abril- Lançamento de Temporada de verão. Entre as três músicas cantadas por Caetano, O conteúdo, dele próprio, e Felicidade, de Lupicinio Rodrigues, grande sucesso daquele ano.

Novembro- Lançamento de compacto simples com Cara a cara, dele, e Hora da razão, de Batatinha e J.Luna.

1975 - Um compacto simples de Caetano, com musicalizações suas para os poemas dias, dias, dias (com citação de Volta, de Lupicinio Rodrigues) e Pulsar, de Augusto de Campos, sai encartado em Caixa preta (Edições Invenção), obra do poeta em parceria com Julio Plaza; quatro anos depois, sairá também acoplado ao livro viva vaia (editora Duas Cidades), que será então publicado por Augusto.

Junho- Depois de mais de dois anos sem gravar um LP individual, põe no mercado logo dois de uma vez, Jóia e Qualquer coisa. Jóia traz canções experimentais como Asa, asa e Gravidade; Qualquer coisa, o clássico que lhe dá título e três músicas dos Beatles. Caetano está provocativo como sempre - ou mais do que nunca. Na primeira edição de ambos os trabalhos, um manifesto define-os como dois pseudomovimentos, ironizando, na verdade, a idéia da necessidade de movimentos, comum à época. A capa original de Jóia mostra Caetano, sua mulher e seu filho nus, num desenho feito por Caetano; é proibida (bem mais tarde será reconstituída, quando o disco sair em CD). A de Qualquer coisa parafraseia a do álbum Let it be, dos Beatles.

Novembro- Lançamento de compacto simples destacando A filha da Chiquita Bacana, dele.

1976 - 24 de junho- Num reencontro histórico em palco, dez anos depois do show Nós, por exemplo, Caetano, Gil, Gal e Bethânia, se juntam novamente para cantar juntos como um grupo, os Doces Bárbaros, e estréiam no Anhembi, em São Paulo, a excursão homônima que percorrerá outras dez cidades brasileiras.

Julho- Sai pela Philips um compacto duplo gravado em estúdio com canções do show Doces Bárbaros.

7 de julho- A turnê Doces Bárbaros é interrompida: Gilberto Gil e o baterista Chiquinho Azevedo, da banda que acompanha o grupo, são presos por porte de maconha em Florianópolis, Santa Catarina, durante a passagem do show pela cidade. Uma polêmica de dimensão nacional cercando o acontecimento rapidamente se estabelece. Numa das declarações, Caetano afirma não fazer uso de drogas, justificando o apelido de Caretano, cunhado anos antes pelo amigo Rogério Duarte, artista gráfico-poeta-músico baiano, um dos mentores do movimento tropicalista.

Outubro- Lançamento do álbum duplo com o material do espetáculo Doces Bárbaros, que se transformará também em filme (do diretor Jom Tob Azulay).

1977 - Janeiro- Sai um compacto simples com as suas carnavalescas Piaba e A filha da Chiquita Bacana. Caetano se firma como um nome da moderna MPB que procura seguir uma tradição de velhos compositores: a de criar, todo ano, música pro carnaval.

Janeiro e fevereiro- Caetano e Gil participam do 2º Festival Mundial de Arte e Cultura Negra, em Lagos, Nigéria, onde passam cerca de um mês.

Abril- É publicado pela editora Pedra Q Ronca o livro Alegria, alegria, uma compilação de artigos, manifestos e poemas de Caetano, além de entrevistas com ele, feita pelo amigo e poeta baiano Waly Salomão.

Maio- Lançamento de seu novo disco, Bicho, reunindo algumas músicas que se tornarão clássicos, como Tigresa (que já virara hit na voz de Gal Costa), Um índio, Gente (espécie de protesto social dançante, na linha chamada de heavy causes in light music), Leãozinho e Odara. Nova polêmica se instaura. O termo odara acabará se tornando sinônimo de hippie ou, para a ala dos esquerdistas, alienado; os odaras, por sua vez, responderão aos que lhe cobram posicionamentos políticos explícitos, chamando-os de "patrulheiros ideológicos. Uma atualização da divisão entre os tropicalistas e os engajados da MPB, dez anos depois do movimento.

Setembro- Alegria, alegria, a canção, vira tema principal de uma novela da Rede Globo, à qual dá o nome, tirado de um de seus versos: Sem lenço, sem documento (verso que, por sua vez, foi tirado do livro As palavras, do escritor e filósofo francês Jean-Paul Sartre, papa do existencialismo; a citação é um procedimento comum na obra do baiano).

Novembro- É lançado o disco Muitos carnavais, uma coletânea da produção carnavalesca de Caetano feita principalmente a partir de gravações de músicas lançadas anteriormente em compactos.

1978 - Viagem à Europa com Gal Costa, para apresentações em Roma, Milão, Genebra e Paris.

Maio- Lançamento de compacto simples com duas canções tema de filmes: Amante amado, de Jorge Ben, da trilha de Na boca do mundo, e a sua Pecado original, da trilha de A dama do lotação.

Julho- Sai seu novo LP, Muito (dentro da estrela azulada), contendo as clássicas Terra e Sampa; o repertório traz ainda o hit Tempo de estio e Muito romântico (sucesso anterior na voz de Roberto Carlos, para quem foi originalmente composta), ambas dele, além de uma recriação de Eu sei que vou te amar, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Muito marcou o início da colaboração dos músicos reunidos com o nome de A Outra Banda da Terra no trabalho do artista.

Agosto- Lançamento de Maria Bethânia e Caetano Veloso ao vivo, LP tirado do espetáculo inicialmente concebido para ser apresentado apenas em Santo Amaro da Purificação, para levantar fundos para a catedral local, mas que acabou sendo levado a várias cidades do Brasil. Os dois cantam músicas em dueto e sozinhos, como Maria Betânia, de Capiba, e Carcará, de João do Vale e José Candido, ambas na voz de Caetano.

Novembro- Novo compacto para o carnaval, destacando a sua O bater do tambor.

1979 - 7 de janeiro- Nasce Júlia, filha de Caetano e Dedé; o bebê, no entanto, vive apenas alguns dias.

Novembro- Cinema Transcendental, seu novo disco, é lançado (agora, e daí em diante, pelo selo Polygram, da mesma companhia de seus discos anteriores, Philips). No repertório, canções antológicas de sua autoria, como Lua de São Jorge, Oração ao tempo, Beleza pura, Menino do Rio e Cajuína. Beleza pur" se torna o hit do LP; Menino do Rio estoura na voz de Baby Consuelo. Caetano se apresenta como intérprete no Festival de MPB promovido pela TV Tupi, defendendo a música Dona Culpa ficou solteira, de Jorge Ben; é vaiado por um público que não tolera a participação de artistas já consagrados no evento; a canção não recebe premiação.

Dezembro- Lançamento do compacto Carnaval 80, com o hit Massa real, dele, e Badauê, de Moa do Catendê.

1980 - Março- Começa a turnê do show Cinema transcendental, que percorrerá o circuito universitário nacional.

1981 - Março- Novo álbum na praça: Outras palavras. Lua e estrela, de Vinícius Cantuária, e Rapte-me, camaleoa, de Caetano, puxam a vendagem do disco, que se torna o mais vendido da carreira do artista até então - 100 mil cópias, o que lhe garante o primeiro Disco de Ouro. Outras palavras destaca ainda a faixa-título, mais uma incursão poética vanguardista, Sim/não (parceria com Bolão, que também sai em compacto), Vera gata e Nu com a minha música, todas dele. Rapte-me, camaleoa e Vera gata cantam duas musas de Caetano: a atriz Regina Casé e Vera Zimmerman, que também se tornará atriz mais tarde.

Maio- Shows em Buenos Aires.

Junho- Lançamento, pela WEA, do álbum Brasil, de João Gilberto com Caetano e Gil (e ainda a participação de Maria Bethânia). Estréia no Rio a peça O percevejo, do poeta russo Vladimir Maiakóvski, dirigida por Luiz Antonio Martinez Correa, com a participação de Dedé Velso como atriz e com alguns poemas musicados por Caetano; uma das canções da trilha, O amor, se tornará sucesso na voz de Gal Costa.

Setembro- Apresentações em Portugal.

1982 - Início do ano- Recebe o troféu Vinícius de Moraes de melhor cantor (de 1981), por seu trabalho no disco Brasil.

Março- Lança o álbum Cores, nomes, destacando Queixa (que também sai em compacto simples), Ele me deu um beijo na boca e Meu bem, meu mal (já então conhecida na voz de Gal), dele, Sina (de Djavan) e Sonhos (de Peninha); estas duas últimas, além da primeira, tornam-se os principais sucessos da obra, que, um mês depois de lançada, rende ao cantor seu segundo Disco de Ouro. Sina, dedicada ao próprio Caetano, assim transformado em muso, contribuiu com um termo inédito para a linguagem brasileira falada: o verbo caetanear. É em meio a esse irresistível caetanismo que se dá uma polêmica com o crítico e escritor José Guilherme Merquior. Este o acusa de pseudo-intelectual que tenta usurpar a área do pensamento. Por que os artistas - e não os pensadores - são chamados a opinar sobre os mais diversos assuntos?, pergunta Caetano. Esta é uma questão que deve ser pensada com rigor e delicadeza, diz.

Abril- Estréia a turnê nacional do show Cores, nomes, em Curitiba. Participação em filme, como ator: Caetano é Lamartine Babo (grande compositor da velha guarda da MPB) em Tabu, do cineasta Julio Bressane.

1983 - Fevereiro- Sai compacto simples com Luz do sol, dele.

16 de março- Inaugura o programa Conexão internacional, da TV Manchete, entrevistando Mick Jagger, o líder e cantor dos Rolling Stones; a gravação foi em Nova York.

Maio e junho- Uma nova polêmica é travada agora nas páginas do jornal Folha de S.Paulo entre Caetano e o jornalista Paulo Francis. Este começa por criticar a postura do artista diante de Jagger na entrevista para o Conexão internacional. Para Caetano, Francis é preconceituoso. Outros intelectuais e artistas são chamados a se posicionar contra ou favor.

Junho- Caetano aumenta o número de suas apresentações no exterior, cantando no Olympia, em Paris; em Israel, numa caravana com Elba Ramalho e Djavan; na noite brasileira do Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, com João Bosco e Ney Matogrosso; em Roma, com Gil, Gal e João Gilberto; e - pela primeira vez nos Esta