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Fora da Ordem

Caetano Veloso

Caetano Veloso 75/82


Vapor barato, um mero serviçal do narcotråfico
Foi encontrado na ruína de uma escola em construção
Aqui tudo parece que é ainda construção e jå é ruína
Tudo Ă© menino e menina no olho da rua
O asfalto, a ponte o viaduto ganindo pra lua
Nada continua
E o cano da pistola que as crianças mordem
Reflete todas as cores da paisagem da cidade que Ă© muito
Mais bonita e
Muito mais intensa do que no cartĂŁo postal
Alguma coisa estĂĄ fora da ordem
Fora da nova ordem mundial...
Escuras coxas duras tuas duas de acrobata mulata
Tua batata da perna moderna, a trupe intrépida em que fluis
Te encontro em Sampa de onde mal se vĂȘ quem sobe ou desce a rampa
Alguma coisa em nossa transa Ă© quase luz forte demais
Parece pĂŽr tudo Ă  prova, parece fogo, parece, parece paz
Parece paz
Pletora de alegria, um show de Jorge Benjor dentro de nĂłs
É muito, Ă© grande, Ă© total
Alguma coisa estĂĄ fora da ordem
Fora da nova ordem mundial...
Meu canto esconde-se como um bando de IanomĂąmis na floresta
Na minha testa caem, vĂȘm colocar-se plumas de um velho cocar
Estou de pé em cima do monte de imundo lixo baiano
Cuspo chicletes do Ăłdio no esgoto exposto do Leblon
Mas retribuo a piscadela do garoto de frete do Trianon
Eu sei o que Ă© bom
Eu nĂŁo espero pelo dia em que todos os homens concordem
Apenas sei de diversas harmonias bonitas possĂ­veis sem juĂ­zo final
Alguma coisa estĂĄ fora da ordem
Fora da nova ordem mundial...

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