Belmonte e Amaraí
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Travessia do Araguaia

Belmonte e Amaraí


Naquele estradão deserto
Uma boiada descia
Pras bandas do Araguaia
Pra fazer a travessia

O capataz era um velho
De muita sabedoria
As ordens eram severas
E a peonada obedecia

O ponteiro, moço novo
Muito desembaraçado
Mas era a primeira viagem
Que fazia pra esses lados

Não conhecia os tormentos
Do Araguaia afamado
Não sabia que as piranhas
Era um perigo danado

Ao chegarem na barranca
Disse o velho boiadeiro
Derrubamos um boi n'água
Deu a ordem ao ponteiro

Enquanto as piranhas comem
Temos que passar ligeiro
Toque logo este boi velho
Que vale pouco dinheiro

Era um boi da aspa grande
Já roído pelos anos
O coitado não sabia
Do seu destino tirano

Sangrando por ferroadas
No Araguaia foi entrando
As piranhas vieram loucas
E o boi foram devorando

Enquanto o pobre boi velho
Ia sendo devorado
A boiada foi nadando
E saiu do outro lado

Naquelas verdes pastagens
Tudo estava sossegado
Disse o velho ao ponteiro
Pode ficar descansado

O ponteiro revoltado
Disse, que barbaridade
Sacrificar um boi velho
Pra que esta crueldade?

Respondeu o boiadeiro
Aprenda esta verdade
Que Jesus também morreu
Pra salvar a humanidade

Composição: Dino Franco, Décio dos Santos

Letra enviada por Pedro Paulo Mariano

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