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Psyché a Eros

A Naifa

Não Se Deitam Comigo Corações Obedientes


Tanto tempo casta
Apenas admirada,
Tanto tempo casta nunca
Amada,
Agora, de dia impaciente
Conto as horas
Que impedem a tua chegada.

Virás como sempre
Trajando o manto
Do homem invisível
De noite vens velar
Vens velar o pranto previsível
Promessas leves
Que a dor é breve
Preliminar do amor
Que me atravessa

Tanto tempo casta
Apenas admirada,
Tanto tempo casta nunca amada

Virás como sempre
Trajando o manto
Do homem invisível
De noite vens velar
Vens velar o pranto previsível
Promessas breves
Que a dor é breve
Preliminar do amor
Que me atravessa

Sorve o leite
Surde o azeite
Que queima o dorso
E no reverso da língua
Que lambe a mão.
Sorve o leite
Surde o azeite
Que queima o dorso
E no reverso da língua
Que lambe a mão

Do corpo ocre
O atirador
Rechaça a corda
Do arco terso
A flecha corta.

Tanto tempo casta
Apenas admirada,
Tanto tempo casta nunca
Amada,


Margarida vale de gato

Compositor: Margarida Vale de Gato

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