3030
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Mundo de Ilusões / Bom Dia

3030


Nesse mundo de ilusões
Onde passamos nossos dias
Não posso ser quem eu sou
Minha vida se confunde meio a cenas vazias
De ódio e de amor

Onde se convence o povo a comprar
O que não precisa
Meu Deus, aonde é que eu estou?
Se você passar lá em casa por favor
Meu bem, avisa
Quero esconder o meu mundo

Posso sofrer, posso chorar e até cair
Mas essa noite, amor, eu vou morrer de rir
Posso sofrer, posso chorar e até cair
Mas certos dias eu me encontro assim
Pois sem amor, vejo que estou

Num mundo de ilusões
Escondo as emoções atrás de um computador
Trancado no banheiro
Já com os olhos vermelhos
Eu tento esconder minha dor
Meu bem, o que eu queria era estar na bahia
Com você, não existe um final
Sem luz, sem energia, sem carro, sem correria
Colhendo frutas no meu quintal

Posso sofrer, posso chorar e até cair
Mas essa noite, amor, eu vou morrer de rir
Quero viver, fazer um som, me distrair
Mas certos dias, eu me encontro assim
Pois sem amor vejo que estou assim

Procurando encontrar uma direção
Nesse mundo de ilusão
Só espero que não caminhe rente à multidão
Surda e muda, sem visão
Fingem não prestar atenção
Quanto estão amordaçados pela manipulação
E por mais que eu tente é sempre
Diferente o que a alma sente
O que a mente entende
Pouco a gente entende
Pouca gente entende
O que é relevante, ultimamente, tão distante
Mais descrente do que antes
Fez-se o povo ignorante

Nesse instante pessoas brilhantes
Crescem nas favelas
Em um instante, ideias brilhantes
Morrem atrás de telas
Nas novelas, em um anúncio de tv
Monitores que amenizam dores
Falsos amenizadores
Procuro me dar mais um tempo
Pensar no futuro
Esfriar minha cabeça
Respirar fundo, quem sabe
Além do mundo, eu mesmo me iludo
Finjo que esqueço de tudo
E no momento
Eu só penso em fazer um som pra viver
Fecho os olhos pra não ver
Permito não perceber
A frieza urbana, fraqueza humana
O modo que voa a semana
Tempo que engana, cidade que esgana, sistema
Que explana sua forma tirana enquanto

Se eu me desligasse até podia
Enxergar nós na bahia, eu e você
Sendo abençoados por um novo dia
Parece até ironia hoje ser só nostalgia
Que preenche um espaço
No meu peito em lacunas vazias

Dias de agonia, distância judia
A mente cria na melancolia
Mil filosofias, me alivia
Mesmo que por pouco tempo, a dor beneficia
Hoje o sofrimento virou poesia

Posso sofrer, posso chorar e até cair
Mas essa noite, amor, eu vou morrer de rir
Quero viver, fazer um som, me distrair
Mas certos dias eu me encontro assim
Pois sem amor vejo que estou assim

Bom dia, o sol brilha na minha janela hoje
E eu pensando e se esse dia fosse
Diferente, menos cinza, tipo, mais cores
Se a grama do vizinho é verde
Eu falo traz flores
Não é uma vida, cada vida é única
Não é uma noite pra fazer uma música
Bem que eu queria ter a sorte de súdita
E se eu me afogo em meus anseios
É uma morte súbita
Juntando os cacos sem sair de casa
Tô vendo o mundo, mas só pela casca
Já vou sair, mas não arrumei a mala

Eu tô dizendo eu vou atirar
Mas não arrumei a bala
E a cada lágrima
Meu mundo desaba, me desarma
E cada mágoa eu transformo em risada
Se eu ando em águas é um milagre a levada
Minha calma deságua
Eu nado no nada, se o barco naufraga
Eu já cansei de viver o que eu vivi
Eu já cansei de chorar o que eu não vi
Eu já falei, eu não saio daqui
Até o sol nascer de novo hoje
Cês vão me ouvir
Eu já cansei de viver o que eu não vi
Eu já cansei de chorar o que eu vivi
Eu já falei, eu não saio daqui
Tudo que eu tenho pra dizer
Hoje cês vão me ouvir
(hoje cês vão me ouvir)

Não dá
Cansei de viver assim
Já não dá pra repetir os mesmos erros
Cansei de viver assim

Hoje é um bom dia pra esquecer
O que me aflige
De todos os problemas são poucos
Que me atingem
Deixa a razão de lado
Se concentra e só finge
Que nada mais importa
Tudo é certo, então um brinde
Eu não quero o poder da esfinge
Nem parte do trono
Eu não quero seus brindes, agrados e bônus
Eu tenho meus timbres, estéreos e monos
A faixa, a mensagem, é isso que somos
Monte de cromossomos, malucos, doentes
Só água e carbono, o amor e o antônimo
Assírios e babilônios
Contradição, mantras
E vícios, distúrbios crônicos
Demônios e anjos, fome e obesidade
Não somos mais nada além
Do que nós dizemos que somos
Quem te disser o contrário, mano
Desbanca na cara, otário
É quem só aceita a verdade
Do jeito que chega aos olhos
Não projete em mim sua frustração
Do jeito que eu vim
E que eu sou, é como eu vou terminar
Não projete em mim suas ambições
A confiança que eu carrego
Não cabe no julgamento
Não projete em mim em vão
Eu só lamento
Se eu tiver que te decepcionar
Antes você do que eu
E a certeza que eu criei
É maior que meu entendimento
Mas do jeito que eu ando aqui não dá

Não dá
Cansei de viver assim
Já não dá pra repetir os mesmos erros
Cansei de viver assim

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