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Você sabe de onde eu venho
De uma casinha que eu tenho
Fica dentro de um pomar ?
É uma casa pequenina,
Lá no alto da colina
De onde se ouve, longe, o mar
Entre as palmeiras bizarras
Cantam todas as cigarras
Sob o pó de ouro do sol,
Do beiral vê-se o horizonte
No jardim canta uma fonte
E na fonte um rouxinol.
Do jasmineiro tão branco
Tomba, de leve, no banco
A flor que ninguém colheu
No canteiro há uma rosinha
No curral uma ovelhinha
E em casa o meu cão e eu
Sobre a minha cabeceira
Minha santa padroeira
Que está sempre em seu altar
Cuida de mim se adoeço
Vela por mim se adormeço
E me acorda devagar.
Quando eu desço pela estrada
E olho a casa abandonada
Sinto ao vê-la não sei quê
Anda em tudo uma tristeza
Como é triste a natureza
Com saudade de você
Se você é minha amiguinha
Venha ver minha casinha
Minha santa e meu pomar
Que o meu cavalo é ligeiro
É uma légua só do outeiro
Chega a tempo de voltar.
Mas se acaso anoitecer
Tudo pode acontecer
Que será de mim depois ?
A casinha pequenina
Lá do alto da colina
Chega bem para nós dois.

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Todas as letras de Sílvio Caldas

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