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    Eu preferia tá fazendo outra canção de amor,
    Do sentimento quase extinto que ninguém dá valor.
    Várias perguntas sem respostas eu fiz pra mim mesmo,
    E toda vez que eu cai, tentei um recomeço.

    Nesse mundo eu sei que tudo, quase tudo tem um preço,
    Os amigos vão embora e a cobrança chega cedo.
    Tentei ser o melhor, mas ninguém me deu pódio,
    Então peguei inspiração pra retratar o meu ódio.

    Prometi pra mim mesmo que não ia desistir,
    Tenho que batalhar, tenho que resistir.
    Mas caminhar é difícil quando se perde o chão,
    E respirar é difícil com essa poluição.

    Porque amar é difícil quando não tem coração,
    Porque rancor é melhor vivendo na solidão.
    Porque a vida só traz, o que eu tento esquecer,
    Se prometi tantas coisas que aqui nem dá pra escrever.

    A cada lágrima que cai, me sinto tão incapaz,
    De honrar minha família e exaltar meus ancestrais.
    Eu não quero chorar, mas depressão não tem remédio,
    Eu não quero sofrer, mas minha vida é um tédio.

    Cada frase que eu escrevo é uma parte de mim,
    E cada parte é uma lembrança que me deixa assim.

    Isso é uma bola de neve gerando minha revolta,
    Como posso ser feliz com a maldade em volta ?

    Vejo gente matando, vejo gente morrendo,
    Estou sangrando por dentro, meu coração tá sofrendo.

    Sinto um ódio tremendo que eu não posso conter,
    Tanta maldade na mente me vai causar Avc.

    Pra você ver, pra saber que tá na boca do lobo,
    Meu estilo é pesado, tipo fogo contra fogo.

    Vermes no poder, só me dão mais motivos,
    Pra ser um cara agressivo pro seu sistema nocivo.

    Como estar doente sem saber a doença,
    Contaminado pela vida e a sua indiferença.

    Pra muitos é só crença, pra outros é cultura,
    Pra uns a vida é fácil, pra outros vida dura.

    Só que a minha ideologia está um pouco confusa,
    Pois a estrada é tenebrosa e a neblina assusta.

    Mais um monstro adormecido vai acordar pra vida,
    Pra quem sabe a muito tempo, teve infância sofrida.

    Ver seu pai trabalhando, não tendo tempo pra você,
    Só que ele tá no trampo pra te dar o que comer.

    Eu agradeço a Deus por ter feito o vento,
    Pois ele seca minhas lágrimas aqui nesse momento.

    E eu agradeço a Deus, por todas dificuldades,
    Isso me deu coragem, me fez ser homem de verdade.

    Então peguei o desprezo, condenando meu fim,
    Abri meus olhos, levantei, continuei só por mim.

    Quem derá fosse assim, vou fazer meu Halloween,
    Hoje é sexta-feira treze e o sangue virou jasmim.

    Tristeza vem sem querer, às vezes só por brincadeira,
    Alagando minha alma, a mente cheia de goteira.

    Vem cá, me diz o preço dessa redenção,
    Sentir o gosto do fél no mar da escuridão.

    Pra matar meus sentimentos e jogar no caixão,
    Pra relembrar que os pensamentos nunca foram em vão.

    No coração de papel que todo mundo amassa,
    Nessa comemoração sem champanhe ou táça.

    Sei que aqui é cruel, entre o inferno e o céu,
    A babilônia está queimando, cai a torre de babel.

    Pro juiz sou mais um réu, ele quer me condernar,
    Se tô certo ou errado, só Deus pode me julgar.

    Não, não vou chorar, só pra te alegrar,
    Depressão é uma doença que pode te matar.

    Faz querer se vingar e atirar no espelho,
    Mas pecador aqui sofre, tem que andar de joelhos.

    No descabelo eu vi que a criança não sorriu,
    Pensei que fosse o Brasil, mas era a puta que pariu.

    Me incomoda sua moda que corrompe a pureza,
    No país do preconceito, morrer é uma certeza.

    Mais um corpo sobre a mesa, mais um luto em silêncio,
    A marcha fúnebre prossegue, capitão nascimento.

    Falo sobre a favela, agradeço a platéia,
    Sou quebrada, sou viela, abraço a ideia.

    Tiros e mais tiros, tiros de traçante,
    Atravessam minha mente, abalam meu semblante.

    O sol se põe no horizonte, dá pra ver lá do morro,
    Sirenes passam rasgando, alguém pedindo socorro.

    A mercê da maldade que no meu verso aqui jás,
    Vivendo nessa utopia que eles chamam de paz.

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