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    A vida continua só não sei pra onde vai
    Ela acelera e banzai
    E eu digo don't cry nosso povo precisa da nossa voz
    Até o final desse rap morrerão mais dez de nós
    É nossa sina, nosso carma, como os ancestrais
    Se a vida ensina uma morte ensina bem mais
    Mas se o conhecimento depende da perda e da distância
    Eu preferia poder seguir na ignorância
    Poucos homens são reis, todos os homens são réus
    A odalisca te conquista, sem descer os véus
    Enxergue através desse luxo e o lixo verá
    Comporte-se então como bicho e um bicho será
    O plano é dividir a terra pros irmãos
    Mas sempre fica cego o lavrador que traz os grãos
    Entre dividir e assim ficar, ou iludir e triplicar seus grãos
    Nasce a corrupção e lavam-se as mãos
    Quando lutarmos nessa guerra unidos de fato
    Seremos legião urbana mesmo sem renato
    Façamos um trato, devolvam nossas vidas, e eu me calo
    Neguim pega as arma no mato

    Refrão
    Silêncio
    Diz a placa do hospital
    Na uti o nosso mano tá mal
    E eu mereço mais, bem mais
    Que o silêncio que diz a placa do hospital
    Me permita dizer que eu mereço mais, bem mais

    Calem-se, falem-se
    Imprescindível for a indefinível cor do indestrutível rancor
    Impossível ser melhor
    Se o pior que existe em nós é canalizado, entubado
    Pra ser atirado contra os boys
    Vão, quatro pretos em um chevette
    Mãos pra cima se repete, perna aberta, coronhada
    Joelhada, teti-a-teti pega nada
    Encomenda chegou hoje de manhã de mobillete
    Você já sonhou com tudo e acordou com nada?
    Forjei meu próprio escudo, contra a minha própria espada
    A imagem do meu povo é uma tia cansada, calejada
    Dessas que cê logo vê tem cara de empregada
    Terra dourada, ó pátria amada mãe gentil
    Escondeu tanta merda que a privada entupiu
    Se transformou num rio de fezes
    Essas fezes são arremessadas contra o próprio povo
    Que te construiu
    O fazendeiro desconhece o nosso tamanho
    Já tá na hora da revolta do rebanho
    Agora é nossa vez, os moleque tão na sede
    Pra cobra e eu não queria tá na pele de vocês

    Refrão
    Silêncio
    Diz a placa do hospital
    Na uti o nosso mano tá mal
    E eu mereço mais, bem mais
    Que o silêncio que diz a placa do hospital
    Me permita dizer que eu mereço mais, bem mais

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