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Hoje eu lembro com saudade do meu tempo de solteiro
Fui buscar uma boiada no grande estado mineiro
Eu cheguei em Pouso Alegre dia três de fevereiro
Lá eu vi uma morena, perdição de um boiadeiro

Ela disse que é mineira e nasceu em Uberaba
Se criou no campo afora lidando nas invernadas
Ela monta em burro bravo, alegre dando risada
Pra pegar mestiço arisco, nunca perdeu uma laçada

Fomos juntar uma boiada e o povo se admirou
Escapou uma vaca preta e a mineira acompanhou
A laçada foi certeira, mas o laço arrebentou
Ela pegou a vaca a unha e sozinha derrubou

Eu convidei a morena pra ser minha companheira
Ela então me respondeu: vivo muito bem solteira
Por dinheiro eu não me vendo, eu também sou fazendeira
Eu trabalho pra mostrar o valor de uma mineira

Ela fez a despedida foi numa segunda-feira
Despediu e foi embora numa besta marchadeira
Eu fiquei com a saudade da morena boiadeira
Nunca mais eu pude ver aquela linda mineira

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Todas as letras de Otavio Augusto e Gabriel

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