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  • Informações do Álbum A Emoção Continua
    1. Introdução
    2. Veso 01 - Cowboy Da Estrada / Viajante Solitário
    3. Verso 02 - Está É Minha Paixão /Merceditas
    4. Verso 03 - Homem Maduro / Pot-Porri : A Ilusão Per
    5. Verso 04 - Agora Não Tem Mais Sentido / Por Que
    6. Verso 05 - Tô Chegando Na Fronteira/Fronteira
    7. Poema - Bens Materias / Trilha Sonora:Vida
    8. Verso 06 - Se Encontrar Minha Paixão /História De
    9. Verso 07 - Vida Conturbada /Escolta De Vagalumes
    10. Verso 08 - Mágua De Boiadeiro
    11. Verso 09 - No Cabo Da Enxada /Espinheira
    12. Verso 10 - Amor Pra Toda Vida / Como Eu Chorei
    13. Verso 11 - Sou Caipira Sou Importante / O Doutor E
    14. Filho Ingrato /Trilha Sonora : Ingratidão

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    Certa vez estive viajando por esse Brasil afora
    Quando me vi no sertão
    Numa estrada de chão, era tarde, umas 3 hs
    De repente, meu carro quebrado,
    Fechei os vidros, deixei ali encostado

    E ajuda eu fui procurar
    Quando eu vi uma casa ali perto
    O lugar era deserto
    Pelo trilho comecei a andar
    Fui chegando devagarinho
    E quando vi estava pertinho
    Por ajuda fui gritando

    A casa parecia abandonada
    A porta não estava trancada
    Eu abri, fui entrando
    Na entrada logo vi que alguém morava ali
    Pois tinha uma cama velha,
    Duas panelas na prateleira
    Num canto, um banco encostado,
    O fogão de lenha do lado

    E a moringa era geladeira
    De repente ouvi um gemido
    Entrei e vi um velho caído
    Que me disse com a voz extremecida:
    meu filho, sente aqui do meu lado,
    Só ouça, fique calado
    A história da minha vida...

    Eu era um rapaz faceiro,
    Era o rei dos boiadeiros
    Tinha vida pra dar e vender
    Na viola eu era um açoite
    Trabalhava dia e noite,
    Só não sabia ler e escrever

    Me apaixonei por uma moça
    Chamada Tereza
    E no dia do nosso casamento
    Dançamos até noite adentro
    E eu fazia meus planos,
    Vou construir nossa casinha
    Criar gado, criar galinha

    Nem que demorasse muitos anos
    Mas aí veio a tristeza
    A minha querida Tereza
    O filho não pôde suportar
    Foi sentindo a dor do parto
    E ai nesse mesmo quarto
    Ela partiu e com Deus foi morar

    Fiquei eu e o menino
    Tracei ali o seu destino e jurei a ele,
    Estudo dar
    Nem que eu tivesse o sacrifício
    Se fosse pro seu benefício
    Até sangue eu ia derramar
    Mas quem tem Deus não se apura

    Mesmo levando uma vida dura
    Eu não podia me queixar
    Eu era muito valente
    O menino inteligente
    Arroz e feijão nunca ia faltar
    Me lembro como se fosse agora
    Ele chegando da escola
    No ultimo dia do ano

    E com sua simplicidade me disse
    Pai, eu quero entrar na faculdade
    Pois é esse meu plano
    E se foi para a cidade grande
    Me deixando aqui tão longe
    Para vencer no seu futuro
    Eu fazia economia, trabalhava noite e dia
    Para manter o seu estudo

    Se passaram quatro anos
    E eu na roça lutando
    Numa vida muito dura
    Mas ao céu eu agradeci
    Pela graça que recebi
    Pois chegou o dia da sua formatura
    Vesti meu terno de estopa
    Eu não tinha outra roupa
    No meu pé, meu velho sapatão

    Com as unhas sujas de terra
    Pulei vale, cruzei serras
    Pra ver meu filho receber a sua formação
    Fui chegando na cidade
    E com a minha simplicidade
    No salão eu fui entrando
    Quando vi meu filho do lado
    Tava bonito, tava arrumado
    E pro seu lado fui andando
    Eu fui com os braços abertos

    Mas na hora ele saiu de perto
    Com uma cara risonha
    Criticou minha roupa velha
    As unhas sujas de terra
    Falou que de mim estava com vergonha
    Foi embora e me deixou ali num canto
    Dos meus olhos escorreu pranto
    E no meu peito uma grande dor
    Pois ali me desprezava
    Quem eu tanto ajudava

    do fundo do meu amor
    Fui saindo do salão
    Cruzei aquela multidão
    Com o peito cheio de tormento
    Então voltei pra essa casinha
    Pra tocar minha vidinha
    E esquecer meu sofrimento
    Hoje... hoje estou velho, eu sei!
    De tanto que trabalhei

    Da minha dor que mais parece uma ferida
    O meu filho eu não vi nunca mais
    Hoje deve ser doutor ou senhor dos tais
    E eu aqui, no fim da minha vida
    Mas vá, parte agora
    E se um dia encontrar meu filho
    Por essa estrada afora
    Diga à ele que aquele terno de estopa
    Que eu usei no dia da sua formatura
    É o mesmo terno que usei
    No dia que me casei

    Com aquela que morreu para lhe dar a vida
    E é com ele que eu vou para sepultura
    Diga também que foi com aquele velho sapatão
    Que eu trabalhei e tirei desse chão
    O sustento do seu futuro
    E as unhas sujas de terra
    Representa o anel de formatura
    De quem nunca teve estudo

    E por fim, diga a ele que eu lhe perdôo
    Que por Deus eu lhe abençôo
    E não reclamo a minha cruz
    Foi tão grande meu sofrimento
    Mas não se compara em nenhum momento
    Ao sofrimento de Jesus"

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