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Lourenço e Lourival - A caneta e a enxada

Certa vez
Uma caneta foi passear no sertão
Encontrou com uma enxada fazendo uma plantação,
A enxada muito humilde lhe foi fazer uma saudação
A caneta sorberba não quis pegar na sua mão
E por desaforo quis lhe passar uma repreensão

Disse a caneta para a enxada não vem perto de mim não,
Você ta suja de terra, de terra suja do chão
Sabe com quem ta falando, veja sua posição
E não esqueça a distãncia da nossa separação

Sou a caneta dourada que escreve nos tabeliao
Escrevo pros governos a lei da constiuição,
Escrevo em papel de linho
Pros ricaços e pros barao,
So ando nas mãos dos mestres e dos homens de posição

A enxada respondeu
De fato eu vivo no chão
Pra poder dar de comer e vestir o seu patrao
Eu vim no mundo primeiro quase no tempo de Adão
Se não fosse o meu sustento ninguem tinha instrução
A caneta muito orgulhosa vergonhada geração
A sua alta nobreza não passa de pretenção
Você diz que escreve tudo, mas tem uma coisa que não
É a palavra bonita que se chama
EDUCAÇÃO

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