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Até parece um retrato tirado em dia de festa
Chapéu clareando na testa cada vez que me enforquilho
Num dos crioulos que encilho pra me tornar soberano
Frente ao destino cigano que passa de pai pra filho

Feito uma estrela cadente que alumbra algum descampado
Meu baio de cacho atado atira o freio por graça
Honrando o garbo da raça que a própria história carrega
E pisa sobre as macegas igual se andasse na praça

Quando trago uma rosilha serena embaixo dos bastos

Remendo os caminhos gastos me boleando desse altar
Ay yerba para matear um galpão pras guitarreadas

Um verso nas madrugadas e um grilo pra me escutar
Se meus bastos não tem velas pra navegar nos varzedos
Sei que me basta o segredo de apartar cincha e bocal
E me agrandar no recal de um mouro que a três ontonte

Cismou ser mais que o horizonte bebendo a estrada real

Um gateado flor de estampa pra pontear um tropa bruta
Ou sair em reculuta sem ter pressa de volver
Quem faz a vida escorrer da cadência de um bom pingo
Traz um olhar de domingo pra cada sol que nascer

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Todas as letras de Jairo Lambari Fernandes

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