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  • Virada Cultural 2010

    Por Leandro Saueia

    Pela quarta vez o Vaga-lume esteve na Virada Cultural Paulistana para conferir a maratona de shows e eventos culturais que toma conta do Centro de São Paulo que esse ano rolou entre os dias 15 e 16 de maio. Quer saber como foi? É só ler o texto.

     

    A Virada 2010

    Patricia Asega
    Vagalume letras
    The ABBA Show
    Mais um ano, mais uma Virada Cultural em São Paulo e suas centenas de shows rolando por 24 Horas. Como é o costume teve um pouco de tudo para quase todos os públicos e ainda que a programação de 2010 não tenha sido das mais espetaculares, com um pouquinho de boa vontade e um mínimo de ecletismo qualquer pessoa poderia se divertir com pelo menos uma meia dúzia de shows.

    Claro que certos problemas de segurança e higiene continuam, pelo que se vê nos sites de notícias e redes de relacionamento, e é nesse ponto que as providências devem ser tomadas para os anos seguintes. Afinal se a população abrir mão de ir ao evento por medo de segurança ou por não querer entrar em um banheiro químico imundo, ele perde o seu maior objetivo, o de mostrar que a música e a cultura são capazes de transformar a população e a cidade.

    Dito isso vai aqui o nosso tradicional resuminho anual do que rolou de melhor na festa. Claro que com tanta coisa acontecendo simultaneamente não há como ver tudo que se gostaria, mas ainda assim conferimos bastante gente.
     

    As Atrações Internacionais

    Patricia Asega
    Booker T. & the M.G.'s letras
    Booker T.
    Esse ano a Virada Cultural foi incrementada com algumas atrações internacionais. Muito se reclamou sobre a presença de “bandas cover” no evento. Nesse caso cabem algumas ressalvas. Tome por exemplo o "Grand Mothers – Re:Invented", que abriu o palco rock. Não dá pra taxar esse grupo de músicos extraordinários de mera banda cover de Frank Zappa. Até porque se o rock deu ao mundo algum compositor que tem uma obra complexa o bastante para ser executada mesmo nas salas de concerto, esse alguém era o músico morto em 1993.

    Formado por músicos que trabalharam com ele nos anos 60 e 70 o quinteto executa com perfeição incontestável vários clássicos do repertório Zappeano. Desde as faixas mais doidas dos anos 60, passando pelo jazz rock (a instrumental “Peaches in Reagalia” foi aplaudidíssima) e por “hits” como Montana. Se cabe uma reclamação então seria pela presença contante na Virada Cultural de shows dedicados à obra de Frank Zappa, já que quase todo ano rola algum tributo à sua música.

    Com relação a Booker T não cabe nenhuma reclamação. Lenda viva do soul, e da música em geral, a maior unanimidade da maratona, o organista mostrou em pouco mais de uma hora toda sua classe. Entre clássicos imortais como Green Onions, faixas recentes de seu último álbum, o excelente, “Potato Hole” e alguns standarts do soul como Sitting in the dock of bay de Otis Redding (cuja gravação original tem o toque do seu piano, como ele lembrou durante o show), o veterano mostrou porque é adorado. A se reclamar apenas do som um tanto baixo e de certas derrapadas de sua banda de apoio, que não eram os lendários "MG’s".


    A madrugada reservou o show do Living Colour uma das boas bandas do fim dos anos 80/início dos 90. O quarteto continua pesado e técnico ao extremo; o baixista Doug Whimbish em particular é um espanto e rouba a cena sempre que pode. Em quase duas horas os Nova Iorquinos focaram o setlist em seus primeiros discos, gravados entre 88 e 93, e fizeram o povo pular noite adentro com Glamour Boys, Love Rears Its Ugly Head, Cult of Personality e Elvis is Dead. Mesmo sem ter tido o impacto do Hollywood Rock de 1992, quando eles fizeram o melhor show do festival, Vernon Reid, Corey Glover e cia. ainda sabem como fazer uma apresentação.


    Para bem menos gente, mas igualmente emocionante foi a apresentação de Nito Mestre. Não o conhece? Normal, afinal o rock latino sempre foi ignorado por aqui com raras exceções. Mas na Argentina e na América Latina, Nito é um herói desde os anos 70 quando integrava o Sui Generis ao lado de Charly Garcia. Acostumado a tocar para grandes plateias, por aqui ele se apresentou no ingrato horário de nove da manhã para algumas centenas de pessoas, muitos deles argentinos e imigrantes latinos. Assim sendo era impossível ficar imune não só com as lindas músicas de tintura folk tocadas por Nito e seus dois músicos, mas com o clima de comoção criado pelo público, de idade variada -vários deles com lágrimas nos olhos – cantando todas as músicas.


    E aí chegamos no show mais controverso, o “The ABBA Show”. O mercado do pop fatura muito com grupos que se dedicam a recriar com exatidão assustadora shows de bandas do passado. Nesse quesito o ABBA é um dos maiores “homenageados”. O “The ABBA Show” é formado por suecos e americanos, a diferença é que aqui “Bjorn” também tem barba e toca guitarra ao invés de baixo. De resto a impressão que se tinha era a de que era o ABBA estava ali. As duas garotas têm o timbre igual ao de Frida e Agnetha e obviamente estão mais em forma que as originais. Até porque essas já estão na casa dos sessenta anos. E ali ficou claro porque o grupo nunca mais voltará. A imagem que temos dos suecos está congelada nos anos 70, com todos jovens em suas roupas de gatinho e quimonos. Algo que não farai o menor sentido hoje em dia. Mas que faz no caso de um show tributo. O resultado foi uma multidão cantando Fernando, ABBA, ABBA e, claro, ABBA. Resumo da história? Valor cultural ou artístico da coisa? Provavelmente zero. Mas no quesito diversão nota 10.
     

    Os Brasileiros

    Patricia Asega
    CPM 22 letras
    Badauí do CPM 22
    Esse ano com a reforma do Teatro Municipal a Virada ficou privada de um de sesu maiores trunfos, o de artistas tocando seus discos na íntegra. Mas ainda assim tinha bastante coisa acontecendo. Como sempre o palco “popular” foi um dos mais divertidos, especialmente no show de Sidney Magal que juntou uma das maiores multidões de todo o evento. Ao som de Meu Sangue Ferve Por Você o cigano entrou e o que se viu foi um Deus nos acuda. Mesmo a área VIP estava tomada com todos cantando Se Te Agarro Com Outro Te Mato e outros hits da disco-brega brasileira. Entre covers de Lulu Santos, Rita Lee e até Ara ketu, Magal brincou com a fama de sex-symbol e ao final (com Sandra Rosa Madalena, naturalmente) deu uma de Roberto Carlos. Só que ao invés de rosas, ele joga cravos e os beijos são mandados na forma de uma "lambida sensual" nos dedos. Só vendo pra crer.

    Na hora do almoço o CPM 22 homenageou os Ramones tocando de forma competente por volta de 15 faixas de todas as fases da carreira dos Nova Iorquinos. No final a banda de Barueri entregou "de brinde" para a plateia alguns de seus maiores hits.

    No palco dedicado aos indies valeu ter conferido o divertido show de Nervoso e o Calmantes com seu som que brinca com clichês do nosso romantismo de maneira genial. Seria até o caso de levá-lo para o palco do povão para ver como canções como Já Desmanchei Minha Relação ou Universo Vocacional seriam recebidas.

    Para fechar a maratona uma passadinha no placo dedicado ao samba onde o veterano paulistano Germano Mathias do alto de seus 75 anos desfilava sua malandragem ingênua e o carioca Dicró, agora famoso por causa do Fantástico, mandava ver na grosseria ("essa música vai pegar mais que gonorreia") e sutilezas de coisas como O Bingo ("o prêmio é a minha sogra, sai com uma pedra só") ou Olha A Rima ("Já cantei o meu pagode, todo mundo já ouviu, Aquele que não bater palmas... Olha a rima o negócio é rimar").

    A Virada tinha ainda muitas outras apresentações dignas de serem conferidas, mas que não foram por falta de tempo, cansaço (os palcos são distantes uns dos outros) ou horários conflitantes com outros shows. Shows como os de Arnaldo Antunes, Hermeto Pascoal, a homenagem a Wilson Simonal, Céu e muitos mais que seguramente serão vistos em outras oportunidades.

     

     

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