Entrevista
O Skank está quase chegando aos vinte anos de uma carreira íntegra e vencedora. De todas as bandas surgidas nos anos 90 ela é das únicas a se manter no topo e com a formação original intacta.
Após lançarem o disco "Estandarte" que os colocou novamente no alto das paradas o grupo agora celebra a si, seus fãs e sua cidade natal Belo Horizonte com o Cd e Dvd "Skank Ao Vivo no Mineirão", que em suas 31 faixas passeia por toda a carreira da banda.
Veja o papo que o baixista Lelo Zaneti bateu com a gente sobre esse novo projeto.
Começando com o recém-lançado disco e Dvd ao vivo. Como foi se apresentar no Mineirão? Show de vocês completo por lá foi a primeira vez não?
Sim, e foi algo muito especial, com mais de 50 mil pessoas. E foi bacana porque a gente conseguiu a data, logo antes do Mineirão fechar para a reforma para a Copa. Então no dia 19 de junho a gente fez essa celebração e foi legal registrar isso em alta-definição.
Vocês estavam realmente querendo lançar um ao vivo agora ou foi uma ideia que surgiu e vocês abraçaram?
Eu acho que estava no inconsciente e ela começou a aparecer com bastante força. E como já se passaram quase dez anos do disco ao vivo em Ouro Preto, a gente achou importante para poder juntar um outro repertório em um novo álbum.
Há alguns anos o Samuel Rosa dizia ter certo problema com discos ao vivo e coletâneas. Por isso a pergunta...
Eu acho que tudo tem seu tempo. Mas, por exemplo, quando as pessoas falam em "Acústico", a gente ainda tem essa mesma reação, porque é uma coisa que não faz parte ainda das nossas intenções. Essa coisa de tocar sentadinho e tal. Já esse ao vivo deu uma injeção de ânimo porque é muito legal você fazer a captação em um lugar tão especial, que tem tanta história e poder contar com muita gente, que vai lá para cantar e celebrar.
Da última vez que vocês falaram com o Vagalume, o "Estandarte" estava para sair. Como vocês estavam vindo do "Carrossel" que não fez muito sucesso, a gente sentia que aquele disco tinha um peso muito grande para vocês. Foi por aí?
Eu acho que o "Carrossel" foi um disco que fechou um ciclo depois do "Cosmotron" e do "Radiola". Já o "Estandarte" veio com uma força de banda, aquela coisa de entrar num estúdio para fazer uma jam session, ele foi bem espontâneo. Do "Estandarte" pra cá já começamos um novo ciclo.
O Skank já tem músicas para um disco de inéditas?
Não, agora estamos totalmente focados no disco "Ao Vivo", já que ainda tem o blu-ray aí pela frente.
As faixas inéditas desse álbum são recentes?
Sim, elas são bem atuais. Fotos na Estante a gente deixou com essa carinha de estúdio mesmo e como as rádios queriam tocar o material inédito sem ser ao vivo a gente fez o De Repente em estúdio também para que elas tivessem a opção.
Agora vocês saem em turnê. O repertório vai ser esse que está no disco ou vocês pretendem fazer mudanças?
Por ora estamos fazendo só os (shows de)lançamento no Rio e São Paulo. Ele vai ser em cima do disco mesmo. A gente está trabalhando a cenografia para tentar reproduzir o mesmo clima, ainda que em lugares menores. Esse é um show feito pro fã se divertir.
Como é fazer parte de uma das únicas grandes bandas dos anos 90 que sobreviveram intactas? A gente tem a impressão de que vocês nunca brigam (risos).
As discussões fazem parte da vida, mas a gente tem uma coisa democrática, tudo é trazido à luz, para todo mundo dar opinião e dizer o que está gostando ou não. E nós temos uma afinidade pessoal e musical muito grande. A gente realmente se diverte, seja na estrada, no estúdio, jogando uma bolinha ou viajando com as famílias.
Então vocês se mantêm juntos mesmo fora do trabalho?
Sempre, sempre, as esposas são amigas, a meninada brinca de vez em quando. A gente compartilha de muitos momentos legais.
Parece que vocês estudaram as carreiras das outras bandas e tentam não repetir os erros que elas cometeram.
Sim, por exemplo, em 1996 a gente teve uma janela boa para divulgar o nosso trabalho na Europa, então com isso nós conseguimos dar uma fugida de uma situação de saturação que no Brasil estava facílima de acontecer. Nós então fomos pro exterior, já que a coisa já estava acontecendo aqui. Quando voltamos, nós conseguimos atender à demanda que havia pela gente, mas sem aquela fissura de uns meses antes, quando te queriam em todos os lugares.




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