Artista
Catch Side
-
Sempre Mais
2009
Entrevista
O Catch Side faz parte de uma safra de bandas que "nasceu" na Internet. Tratam-se de grupos jovens, que mesmo sem um disco gravado, postam seu material em sites como Youtube e, assim, conseguem seus primeiros fãs.
Porém, os vídeos caseiros gravados pelo vocalista do Catch Side, Kaká, ultrapassaram as expectativas dos integrantes da banda. Mais de 1.500.000 acessos.
Hoje a banda tem contrato com a Deckdisc (a mesma gravadora de artistas como Cachorro Grande, Pitty, entre outros), dois discos lançados e uma legião de fãs que está presente a cada show da banda.
Conversamos com o vocalista Kaká sobre esse currículo todo, em tão pouco tempo. Ele também contou algumas curiosidades do Catch Side pra gente e também sobre suas letra preferida! Veja o bate papo com o Vaga-lume a seguir:
Como vocês formaram o Catch Side?
A ideia da banda era a ideia inicial da maioria das bandas que acontecem no mundo. A gente tinha uns 14 anos, tocava violão de bobeira, sem pretensão nenhuma. A gente queria botar isso em prática, tocar essas músicas que a gente gosta e eu também tinha umas letras, em inglês, no caso.
Tocava eu e o Diego, basicamente, porque não tinha nem batera e baixista na época. E isso foi rolando por uns seis meses, até que a gente achou um baixista e um batera na época do colégio, acabamos tocando junto e tal. Lembro até que no primeiro ensaio, a gente tocava cover, mas eu toquei uma música minha e o batera falou: “Essa música é maneira. De quem é?” Eu falei “É minha. Vamos formar uma banda de música própria”.
E foi nessa onda, a gente começou sem pretensão e ficou uns quatro anos assim, até virarmos profissionais mesmo.
Vocês citam o Beatles como grande influência da banda. Porém, se escutarmos suas músicas com atenção podemos notar influências do punk rock e pop. Vocês concordam com isso?
No primeiro CD “O Sonho Acabou”, a gente gostava muito dessas bandas, escutava muito, tinha essa influência do pop/punk. Na época, não era só a gente. Tinha outras bandas também que tocavam esse tipo de som, aquele punk rock californiano, como Starting Line, Dashboard Confessional. Eram bandas que a gente gostava muito na época.
Eu sempre ouvi de tudo, sempre gostei de muita coisa. Desde punk rock ao hardcore, grunge e outras influências. Eu sempre gostei de The Beatles, de rock britânico em geral, como Oasis. Mas, agora a gente começou a botar isso mais a sério no Catch Side. Essa influência tá vindo mais forte agora.
Eu diria até que metade do CD novo do Catch Side tem essa influência The Beatles e a outra medade da leva do passado, do punk/pop. A gente está numa fase de transição.
Acho que, talvez, no próximo álbum seja mais forte, mais visível ainda por estarmos nessa fase de transição. Estamos escutando muita coisa diferente, atualmente. Desde The Beatles, Coldplay, Maroon 5. Tem muitas bandas que a gente têm ouvido bastante.
Quais outras bandas e artistas que você gostaria de também citar como influências?
De internacional, Coldplay, Oasis, The Beatles, é claro. Tears For Fears, dos anos 80. A gente gosta muito das bandas dos anos 80 também. Outfield... e anos 60 também escuto algumas coisas.
De nacional, gosto muito de Os Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Titãs... essas bandas são show. Sempre admirei muito essas bandas, principalmente, Os Paralamas do Sucesso.
Kaká, como funciona o processo de composição no Catch Side?
Eu escrevo todas as músicas, faço os arranjos delas no meu quarto sempre. Trabalho com letras verdadeiras, gosto de escrever coisas que aconteceram na vida. Não precisam ser coisas que aconteceram necessariamente na minha vida. Algo que eu tenha visto com algum amigo, algum familiar e boto assim dentro da música.
Depois eu levo as músicas para o ensaio, mostro para os moleques, para ver se eles aprovam ou não aprovam, se querem mudanças ou não. A gente monta a música juntos.
Mas, basicamente, ela começa e chega a 50% no meu quarto, quando eu com o violão faço as músicas.
Qual letra do Catch Side é a mais significativa para você? Por que?
Todas as letras que eu venho fazendo desde o primeiro, com o segundo CD são muito significativas para mim porque são fases da minha vida, sabe. Foram fases que eu vivi. Se você for pegar da primeira letra até a última desse CD, eu comecei a escrever com, sei lá, 16 anos, aquelas músicas que estão no primeiro CD, e hoje, com 22 anos, as últimas músicas do novo CD. Então, são fases.
Se eu tivesse que pegar uma música que pudesse me definir bem seria Capitulo I de Amor, do primeiro CD. Apesar de não ser uma música tão pedida. Acho que ela não foi nem tão divulgada no primeiro CD. As pessoas gostam muito dela. Eu gosto muito dela porque ela me define bem, a letra dela me define bem. Era um momento que eu estava vivendo conturbado, de não saber expressar algumas coisas. Ela foi bem significativa para mim.
Claro que todas as músicas têm um valor sentimental muito grande pra mim. Mas, essa aí sem dúvida marcou.
Vocês são um dos recentes fenômenos da Internet. No início, vocês acreditavam que conseguiriam atrair tantos fãs usando a Internet como ferramente de divulgação ou isso era apenas um sonho?
Com relação aos vídeos, a gente nunca fez nada para o sucesso. Do tipo, “Ah vamos, fazer isso para fazer sucesso, crescer”. Nunca. Era para botar o vídeo e quando a gente olhou, tinha 10 mil, depois 20, depois 100, depois 1 milhão. Foi assim.
Até porque eu não divulguei no Fotolog esse vídeo. Não sei o que aconteceu. Foi um milagre, digamos assim. Eu acho que esse foi um fator determinante e diferencial pra gente ter conseguido essa crescida.
Com relação à Internet, a gente sempre trabalhou com ela de uma forma diferente, no início. A gente começou em 2002 e ficou até 2006 botando música na Internet e nada. Essa coisa do fenômeno aconteceu porque em um ano, foi em 2006 para 2007, o negócio cresceu de forma absurda. Coisa que não cresceu de 2002 a 2005, só em um ano cresceu mais do que nos anos anteriores.
Depois em 2007, 2008 e 2009, a gente vêm colhendo tudo que plantamos. O CD com essas músicas que a gente colocou na Internet, não tínhamos pretensão até porque em 2006, a gente estava mais para acabar a banda do que pra continuar. Então, foi uma coisa de outro mundo pra gente, foi muito bom.
Como foi gravar o primeiro disco de estúdio com a Deckdisc? O que aprenderam com essa experiência?
Quando gravamos o primeiro CD, tínhamos 17, 18 anos. A gente não sabia muito o que ia acontecer. Lembro que quando entramos na Deckdisc, a gente pediu para o cara que gravou o nosso primeiro CD, que era o Alexandre Grego, acompanhasse e ajudasse a gente na gravação do segundo CD.
A gente queria manter essa química porque rolou no primeiro CD e poderia rolar no segundo. E foi o que acabou acontecendo e juntamente com o Rafael Ramos, que é um produtor conceituado, produziu o CD dos Los Hermanos, Pitty, do Strike. Então, foi muito bom pra gente.
Trouxemos ele e fomos trabalhando juntos nessa pré-produção das músicas. Na verdade o trabalho foi parecido: a gente fez uma pré-produção no primeiro e no segundo CD e depois gravou. Foi mais ou menos a mesma coisa.
A diferença é que você tem um estúdio muito maior, as pessoas importantes vendo e dando idéias. São várias cabeças pensando e falando coisas. Palpites bons que você adquire com o tempo, com experiência de anos de mercado. E isso foi o que aconteceu com a gente, pudemos aprender muito com grandes nomes da música.
Quais bandas são amigas de vocês e talvez o público não saiba?
Então, amigos, pessoas que a gente conhece... costuma falar e conversar mesmo, sair junto e trocar idéia é o Bonde da Stronda. Muita gente tem preconceito contra eles, não gosta e tal. Mas, são dois moleques muito gente boa, bacanas, que escrevem bem, estão crescendo e evoluindo.
Às vezes pessoas dizem: “Pô, vocês estão malucos, vocês ficam com o Bonde da Stronda falando com eles e saindo”. Mas, a gente acha muito bom, os caras são consideraods fenômenos, cresceram muito. O Bonde da Stronda são dois caras que a gente gosta de estar junto.
De bandas, a gente conversa com todo mundo, fala de boa. Não temos problemas, inimizades com as bandas. Eu vou citar uma banda que a gente gosta. Mas é difícil falar de uma banda porque apesar de a gente conversar com todo mundo, não temos aquela coisa de amizade, atualmente. Não sei porque, não é por nossa culpa não.
Se fosse pensar em uma banda, o Emoponto talvez. Eles são uns caras muito gente boa. A gente falava muito com o Darvin, uma época. Às vezes a gente fica na estrada, não tem contato. Mas, o Bonde da Stronda são dois caras que a gente está sempre junto.
Vocês são novos, mas já têm uma boa experiência de shows. Teve algum episódio engraçado que vocês sempre se lembram e gostariam de compartilhar com os fãs?
Já aconteceram várias coisas engraçadas e coisas esquisitas. Como uma vez, que a gente capotou indo para um show, pouca gente sabe disso. Isso aconteceu em 2004. A gente estava indo para um show na região dos Lagos, no Rio de Janeiro, e o carro capotou. Por muita sorte, não aconteceu um desastre.
A gente briga antes de shows. Aí damos a mão na hora do show e a gente se entende. Às vezes as pessoas não sabem o que acontece. Temos que passar uma coisa boa no show. Se a gente tem algum problema, temos que esquecer ele no palco. Pelo menos, tem estresse, coisas engraçadas. A gente tenta levar da melhor maneira possível.
Depois de show, há fatos engraçados também de fãs que desmaiam e caem no chão e ainda acontecem umas coisas assim. Mas, nada bizarro. Ver gente desmaiando, caindo no chão, é estranho.
É uma coisa que vocês nunca imaginaram que poderia acontecer com vocês, certo?
É aquela coisa do The Wonders, o filme. Eu fui ver o filme e hoje eu vejo acontecendo comigo.
Curiosidade: Qual o significado do nome "Catch Side"? De onde veio a idéia?
A idéia não veio de nada. A gente teve que botar um nome na hora. Rolou um show, em um festival, em 2002, e não tinha nome para botar. Numa ligação à noite, para o Diego, guitarrista, tínhamos que ter um nome. Aí falamos: “Catch Side? Catch Side!”. E ficou nisso.
Aí muitas pessoas perguntam: “Por que o nome Catch Side?” Pensamos: “Vamos pensar em um significado para esse nome? Uma coisa que tenha a ver com a nossa letra e o que a gente fala”. É como você tomar o lado certo da vida. Então, a gente chama o Catch Side de um ponto de vista. Se você passar o nome para o português, seria como você tomar o lado certo, pegar o lado certo.
Mande um recado para os fãs do Catch Side no Vaga-lume.
Queria agradecer a todo mundo e só tenho a agradecer a tudo vem acontecendo para o Catch Side, nesses anos. A gente batalhou pra caramba. Eu lembro até hoje quando a gente botou as letras do Catch Side no Vaga-lume.
Eu entrava no Vaga-lume e falava: “Po, cresceu. A letra estava com mais acesso”. Eu sempre olhei muito o Vaga-lume com essas coisas do Catch Side. Lembro que Eu E Você, que é a música principal sempre estava em primeiro lugar.
Então, eu queria agradecer demais todo mundo, fiquem com Deus e acreditem nos seus sonhos.




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