Artista
Beeshop
Entrevista
Certamente um dos projetos nacionais mais surpreendentes lançados no mercado neste ano, o Beeshop é o projeto paralelo de Lucas Silveira, vocalista e líder do grupo de rock Fresno.
Depois de passar alguns anos compondo músicas em inglês como hobby pessoal, ele tem a chance de mostrar para um número maior de pessoas algumas de suas canções mais íntimas e outras que mostram um compositor bem diferente daquele que conhecemos pelo Fresno.
Aproveitando o recém lançamento de "The Rise and Fall of Beeshop", conversamos com Lucas sobre esse projeto e quais seus planos com ele daqui para frente.
Não perdemos a oportunidade para perguntar sobre o novo álbum do Fresno, "Revanche", que está quase pronto. Lucas adiantou para o Vaga-lume o nome do novo single da banda e quando ele será lançado!
Um prato cheio para fãs de Beeshop e Fresno, essa entrevista com Lucas está imperdível! Confira:
Lucas, o Beeshop é um projeto de um disco ou veio para ficar?
Isso nem eu sei dizer porque esse disco nunca foi formatado para ser um disco. Quando eu estava gravando essas músicas, botando na internet, não pensava "essa vai ser a faixa número um do disco, essa aqui a número 2". O que aconteceu foi que eu ganhei uma carta branca para gravar esse material. Então, eu selecionei essas músicas e acabei compondo músicas novas.
Foi difícil reunir todas elas, para que pareçam do mesmo disco. Tanto que elas não parecem. Cada música é uma coisa. Cada música usa uma linguagem diferente.
Em um entrevista sua para o Vaga-lume em 2007, você comentou que não tinha a ambição em lançar um disco como Beeshop e apenas deixava cada música gravada no seu antigo MySpace. O que fez você mudar de ideias nesses anos?
Eu não tinha essa ambição porque a Fresno estava em outro momento. Era um momento que eu não podia causar confusão no público, quando o nosso nome estava se firmando no mercado e de repente dizer "Agora tem o Beeshop! Ouçam aqui".
O Beeshop acabou sendo, principalmente, uma coisa feita para quem era fã de Fresno há muito tempo e que não iria estranhar se eu tivesse um projeto solo, paralelo.
Mas, também lancei porque agora a gravadora acredita no projeto e quis investir para gravá-lo.
O tamanho que eu quero que esse projeto tenha é uma coisa complementar ao Fresno, que é a minha banda, o meu ganha pão.
O Beeshop é como um lazer, um projeto com o qual eu posso voltar a tocar em lugares pequenos, posso ter um show muito flexível e eu faço o que eu bem entender. Inclusive, é saudável para minha vida junto ao Fresno, para eu não ficar cansado daquela coisa de ser uma banda grande, de mega pressão. Esse é um projeto sem pressão e não existe uma intenção, um compromisso de fazer sucesso.
Quando as primeiras músicas como Beeshop saíram, ouvia-se algumas comparações com o Dashboard Confessional. Quando você começou esse projeto os tinha como referência ou acha isso apenas uma coincidência?
No começo, o Beeshop foi feito realmente para ser um projeto acústico meu, que foi uma coisa que foi mudando. Depois eu pensava "ah, acho que não tem que ser acústico". E assim, eu fui tendo outras ideias, fazer uma música livre de rótulos. Mas, até fazer o disco, isso não era muito formatado. Eu não sabia como iria soar e ser.
Tem algumas músicas que lembram essa sonoridade um pouco mais acústica do Dashboard Confessional.
Mas, o que está rolando agora é que eu tentei soar da forma mais diferente possível do Fresno porque Dashboard Confessional é uma referência direta para a Fresno. Então, eu não queria fazer uma coisa que se confundisse com a Fresno.
Eu procurei usar tudo o que já ouvi e tudo o que já gostei em toda minha vida. Tem coisas ali que eu gosto desde os meus cinco anos. Então, o disco é um apanhado de tudo que eu ouvi na minha vida e é justamente por isso que tem coisas tão diferentes nele.
Os arranjos de "Lovers Are In Trouble" mostram a sofisticação de uma big band. Você gosta mesmo de jazz e cantores como Frank Sinatra ou esse arranjo foi criado de uma forma natural?
Eu gosto de todo tipo de música que considero boa. Então, eu não sou um profundo conhecedor de jazz, mas eu gosto de música deste estilo, pois acho uma expressão universal. Ela é tão tradicional que virou uma coisa universal.
Ray Conniff, Ray Charles e Frank Sinatra são músicas universais, simpáticas a todos os ouvidos e todo mundo acaba gostando.
Então, eu procurei usar essas ferramentas para fazer o meu próprio disco, em inglês, que é uma língua universal e fazer uma coisa totalmente globalizada.
E você como compositor de cada canção, citaria quais influências presentes nas músicas do Beeshop?
Citaria os Beatles e o Queen. Beatles tem uma parte mais rock, uma fase mais clássica. E o Queen pela forma livre de cantar. Para mim um grande exemplo de vocalista, um dos melhores intérpretes e compositores já nascidos. Se eu for citar uns três vocalistas, com certeza o Freddy Mercury vai ser um deles.
Esses dois foram sons que eu ouvi bastante durante o ano passado e que acabou sendo a influência mais forte nesse disco. Mas, também tem coisas ali que acabam puxando para um lado quando eu era mais moleque e agora voltei a ouvir, bem anos 80. Também tem indie rock tipo Weezer.
Como você escreve as músicas para o Beeshop? Todas têm sua origem em inglês ou já teve algumas ideias que vêm de rabiscos em português?
A maioria das músicas, boa parte do que eu ouço é rock internacional. Então, das músicas que eu faço, inclusive em português, às vezes começa com uma ideia melódica, que é uma frase em inglês.
O rock é uma coisa que é de fora, assim como um cara que vai fazer um samba, vai começar com algo em português.
Muitas músicas surgiram de ideias e historias que eu queria contar e que talvez se essas historias fossem contadas em portugues ficariam meio bestas. Seria inclusive difícil encaixar. A música em inglês conta histórias, ela é mais uma prosa. Já em português ela é mais poesia, uma coisa mais contemplativa e não narrativa.
As críticas para "The Rise and Fall Of Beeshop" têm sido muito boas, sem exceção. Como músico, você aprende algo com as críticas musicais?
A música acaba sendo julgada como se fosse uma ciência exata, como se a música boa fosse universalmente boa e a ruim, universalmente ruim. O que é uma grande inverdade.
A crítica está se encaminhando cada vez mais para ser uma coisa pessoal. Por isso que hoje em dia as críticas são assinadas embaixo. Mas eu não sou uma pessoa que pensa "criticaram isso, então vou mudá-la". O meu grande termômetro é o público e também a minha alegria pessoal de estar cantando aquilo. Se eu fizer música popular, que fizer sucesso, mas eu não estiver feliz com ela, serei uma pessoa muito infeliz de cantá-la pelo resto da vida.
No caso do Beeshop, ele foi um sucesso de crítica talvez porque tenha sido um disco que musicalmente dialoga com um pessoal que tenha uma idade maior.
Claro que eu leio, que me importo e fico feliz quando o disco além de lembrado pelo público também é lembrado pela crítica. Mas, acho que de nada adianta agradar meia dúzia de pessoas que escrevam sobre música, se não agradar também o público que é quem vai comprar teu disco e vai ao teu show.
E como autor, conte para gente qual letra é a sua preferida ou pelo menos a mais marcante desta gravação.
A música que acaba sendo a mais pessoal é a última do disco, que se chama I Was Born In The 80's, que só fala sobre coisas que eu fazia quando era moleque. Falo sobre meu cachorro, minha bicicleta, sobre as as bandas que ouvia. E fala sobre como o saudosismo vai matando a gente sem ter alguém pra dividir.
Ela fala "só não fico completamente louco porque tenho você". Até parece fora de contexto na música, mas é porque o cara tá contando para uma pessoa, tipo "olha só o que tinha, como era legal". E ainda existe esse saudosismo na minha idade, tipo "como era tudo legal, tudo bonito". Essa música com certeza tem isso, é um jeito de escrever que eu não estava acostumado antes.
E você é uma pessoa saudosista?
Eu sou bastante saudosista.
Com o lançamento do disco, qual é o próximo passo do Beeshop?
Meu próximo passo é fazer alguns shows, não vai ter uma agenda de turnê completamente aberta porque não tenho como abraçar o fato de ser vocalista e com duas bandas. Fisicamente para mim é impossível porque a voz acaba. Então, eu vou fazer alguns shows com o Beeshop, nas principais cidades, pelo menos para divulgar o projeto também porque existe uma demanda grande de fãs que querem ver isso ao vivo.
Farei esses shows e vou documentá-los para talvez conseguir ter mais um produto daqui um tempo. Um documentário desses shows do Beeshop. É uma ideia minha que eu quero fazer, nem que seja para botar no Youtube.
Também fazer o maior número possível de clipes desse disco. Todos com pouco orçamento, mas com boas ideias de gente boa que está afim de mostrar serviço. É o caso do primeiro clipe da música Come And Go.
Lucas, sabemos que você está gravado o próximo disco da Fresno, "Revanche". O que você pode nos adiantar sobre esse material? Uma Fresno muito diferente de "Redenção"?
A partir do momento que eu terminei o disco do Beeshop, a gente já entrou em estúdio para fazer o álbum novo da Fresno, que se chama "Revanche" e vem sendo adiado a muito tempo, mas por fatores fora do nosso controle. Como o DVD da Fresno acabou tendo uma aceitação maior que a gente achava, fez com que a gente trabalhasse com mais uma música desse lançamento.
Então, isso empurrou o "Revanche" para uns seis meses depois.
Agora, vamos dar um tempo para o lançamento do Beeshop, o que dá mais uns dois meses.
Então, vamos acabar empurrando o CD da Fresno para depois da Copa do Mundo (que acontece em junho, deste ano).
Mas, não queremos que a Fresno fique sem música de trabalho durante esses meses. Portanto, em maio já vai sair o primeiro single do disco "Revanche", que se chama "Deixa o Tempo".
A gente vive um momento diferente do que vivíamos quando foi feito o "Redenção". Esse disco é um momento da banda completamente diferente. É um momento meu, pessoal, como compositor, como pessoa completamente diferente.
As músicas também vão ter uma sonoridade muito diferente, de quem conhece apenas o nosso último disco. Talvez, a galera que conheça mais profundamente a gente, em outros álbuns, vá até se familiarizar e dizer "eles eram mais assim naquele outro disco". Mas, não é uma volta à raiz. É uma evolução muito maior, querendo puxar a responsabilidade do disco para fazer um rock mais forte, mais porrada, que era o que a gente tava afim de fazer, também pela formação com o Bell na bateria. Tudo contribuiu para que fizessemos um disco bem diferente.
Também, o fato de nos sentirmos seguros e por ser hora de a gente arriscar e fazer uma coisa inesperada, para as pessoas verem que não somos mais uma dessas bandas jovens de sucesso. Somos um grupo jovem de sucesso e também querendo se firmar como uma banda complexa, profunda e que tem muita música para mostrar ainda.
Lucas, mande um recado para seus fãs que curtem tanto a Fresno quanto o Beeshop!
Obrigado por fazerem da gente sempre uma das bandas com mais acesso no site. Isso deixa a gente muito feliz porque as pessoas querem aprender o que estamos cantando. Então, é muito legal essa procura que a gente tem. Valeu!





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