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    11/10/2006

    Armandinho letras

    "Tenho medo que toda essa badalação acabe afetando a minha paz e o meu jeito de fazer música...", Armandinho

    Vaga-lume - 11 de outubro de 2006

    Os estados do Sul costumam ter os seus ídolos locais a exemplo da Bahia. Só que diferentemente dos baianos que geralmente conseguem se firmar no resto do país, os sulistas (em especial os gaúchos) acabam ficando restritos àquele cenário. Armandinho tinha tudo para ser mais um desses artistas e estava mais do que feliz com seu status de ídolo regional.

    Tudo mudou quando a Universal resolveu apostar que a sua mistura de reggae e MPB poderia emplacar no resto do país.

    A aposta vingou, já que o cantor virou fenômeno de execução e vendas em todo o Brasil. Foi para saber como anda a nova vida de popstar e como isso está afetando a vida do pacato gaúcho de 36 anos que curte pegar onda e ficar sossegado em Balneário Camburiú que ligamos para a casa dele.

    Armandinho falou sobre a carreira, o futuro e ainda contou que usava o Vaga-lume para aumentar o seu repertório quando ainda era músico da noite ...

    Como anda a sua rotina agora que você está estourado em todo o país? Ela mudou muito?


    Na verdade eu estou fazendo o possível para continuar com a minha paz, porque eu sou meio adepto aqui à minha vida tranqüila, no litoral de Santa Catarina. Eu não sou do tipo que curte muito agito, sou mais calmo, ao contrário do pessoal da banda que se mudou pro Rio e está por lá sempre saindo e fazendo festa. Eu fico por aqui por ser muito caseiro e apegado à família. Eu tenho medo que toda essa badalação acabe afetando a minha paz e o meu jeito de fazer música, já que a minha vida tem muito a ver com o meu jeito de compor.



    Você andou dizendo que esse sucesso está te forçando a ser mais "profissional", tendo que ás vezes fazer um show com set-list mais rígido. É isso mesmo?


    Rola um pouco sim, porque meu show sempre foi muito solto. A gente subia no palco e falava: “vamos ver o que rola”. E ultimamente eu tenho traçado um roteiro nos shows. Não te digo que eu consigo fazer um show inteiro preso ao set list porque seria mentira. Mas eu tenho que fazer algo mais esquematizado até para ajudar o iluminador, já que fica difícil para ele trabalhar sem saber que músicas eu vou tocar. Mas eu não faço show igualzinho ao que está DVD, mesmo eu tendo achado o resultado muito bom.



    Você está com 36 anos. Geralmente os artistas de pop e rock atingem o sucesso com bem menos idade. Como você encara isso?


    O Lulu Santos começou a fazer sucesso com 29 anos (risos). Eu nunca tive essa obsessão de querer fazer sucesso no Brasil todo. Eu comecei no Sul, gravei um disco, depois gravei outro, o pessoal começou a se corresponder comigo pela internet e assim foi indo. Acho que as praias daqui de Santa Catarina me ajudaram também, já que o pessoal vinha pra cá, conhecia meu trabalho e levava o disco. Então foi tudo muito tranqüilo. Quem sabe se isso tivesse acontecido há dez anos como iria ser; afinal quando você não tem estrutura você pode pirar. Como eu ralei bastante tocando em barzinho, isso acabou me dando uma cancha para administrar a minha carreira.



    Você já tem músicas prontas para um novo disco?


    Eu tenho material para um disco de inéditas pronto já há um ano. Mas como a Universal veio com essa proposta do disco ao vivo ele foi adiado. O que eu fiz foi pegar duas músicas desse disco de inéditas e gravar no disco ao vivo. Agora eu só estou esperando a gravadora falar a hora certa para poder lançá-lo.



    Talvez no verão, né?


    Eu acho que não, porque em algumas cidades do país só agora o disco ao vivo está começando a tocar. Acho que só lá pra fevereiro. A minha mulher vai ter um filho, então eu vou ter que dar uma parada de uns vinte dias. Imagino que na volta eu comece a pensar no novo disco.



    Você sabia que "Sentimento" é uma de suas músicas mais acessadas aqui no Vaga-lume? Ela está entre as suas favoritas?


    (surpreso) Sério? Vou passar isso para a gravadora, já que estamos escolhendo a próxima música de trabalho. Pô que legal. Essa música é uma das minhas preferidas e achei que ela ia ficar restrita ao Sul.



    Vamos falar sobre os dias em que você tocava na noite. Você costumava colocar umas músicas suas no repertório de covers?


    Sempre. Eu tocava muito “Folha de Bananeira”, e (com o tempo) o pessoal sempre pedia para eu tocar ela. Essa acabou sendo a música que me lançou no Sul.



    Você sempre trampou só como músico?


    Sim, profissionalmente desde 1996. Antes eu tocava por hobby, cheguei a participar de algumas bandas do Sul. Mas de dizer que: “agora eu não tenho outra ambição na vida” foi há dez anos.



    Foi difícil nesse começo?


    Foi, claro, mesmo porque a nossa família é meio conservadora e a profissão de músico é complicada, já que ela envolve a noite que por sua vez envolve o álcool, as drogas... então é claro que eles prefeririam que eu estudasse e fizesse uma faculdade tradicional.



    E quando eles pararam de pegar no seu pé?


    Cara, eu fiz duas faculdades: de educação física e de publicidade e tranquei as duas porque comecei a tocar na época para me sustentar, já que era só o que eu sabia fazer. Peguei primeiro um barzinho, depois outro, logo depois as cadeiras já dançaram e assim foi. Graças a deus eu faço hoje ganho a vida fazendo o que gosto.



    E quando o cantor de barzinho saiu pra dar lugar ao cantor e compositor?


    Eu sempre toquei as minhas músicas nos bares como te disse. Um dia um diretor de rádio veio com sua mulher fazer uma festa num lugar aonde eu estava tocando e eles curtiram bastante. Uma hora ele chegou pra mim e perguntou se eu tinha alguma música própria e que se tivesse era pra tocar. Aí toquei “Folha de bananeira”, “O Balanço da Rede”... e o barzinho veio abaixo. Ele pediu para eu gravar as minhas músicas de forma bem crua, só com voz e violão. Eu fiz isso e levei para a rádio. Ele ouviu, gostou e acreditou no trabalho. A música começou a tocar duas vezes por dia na programação e aí foi indo.



    Isso no Sul é interessante, esse fato de você ter a oportunidade de estar nas rádios mesmo sem uma grande gravadora por trás.


    Sim, isso acontece com várias bandas daqui. Junto comigo vieram também a Chimarruts, Papas da Língua...



    Você mantém contato com os outros artistas e bandas daí?


    Sim, tenho muitos amigos aqui como os Papas da Língua, Chimarruts, o pessoal do Cachorro Grande e o Iriema de Floripa, que agora está lançando disco pela Warner.



    Teve algum artista ou banda que te levou a querer virar músico? No seu site você conta que ouvia muito os discos do seu pai.


    Meu pai tocava na noite também, ele era da seresta. Já a minha mãe ouvia MPB. Então eu cresci ouvindo isso. Com 13 anos eu comecei a pegar onda, já que apesar de gaúchos, a gente sempre teve uma casa de veraneio em Santa Catarina, e comecei a escutar reggae. Então eu acabei fazendo essa mistura de música brasileira com reggae. Que dá nesse reggae não ortodoxo.



    A gente percebe uma certa cobrança quanto a isso. Te cobram muito por não fazer um reggae mais engajado?


    No Brasil tem muita gente assim, que acha que você tem que estar preso em um mundo só. Eu acho que música é um estado de espírito. Eu quando saio pra surfar escuto um tipo de som e quando volto escuto outro e assim por diante. Eu sou assim e acho que a música é assim.



    E hoje em dia? O que você ouve?


    Hoje eu acordei e ouvi um disco do Frank Sinatra cantando Tom Jobim. Na volta da minha última viagem eu estava ouvindo o Volume 4 do Black Sabbath no meu Ipod. Um disco que fazia tempo que eu não escutava. Eu fiquei curioso pra ver como ele ficou remasterizado. Porque tem alguns artistas, como os Beatles, que eu não consigo ouvir com som remasterizado, eu prefiro ouvi-los no vinil. Mas de novo mesmo eu ando escutando as bandas australianas lançadas aqui pelo selo Tronador como o John Butler Trio e uma banda que deve tocar esse ano no Brasil chamada The Beautiful Girls. Eu, como disse, sou bastante eclético, consigo gostar de vários gêneros musicais. Tudo depende do dia.



    E Reggae?


    Cara eu já ouvi quase tudo que tinha pra ouvir de reggae e eu gosto de muita coisa nova, mas eu prefiro as coisas mais antigas. Eu até escuto (as novidades) mas elas não me emocionam muito. Na Veja até saiu uma crítica dizendo que eu estraguei o reggae. Só que eu não faço reggae...



    Uma última curiosidade: você foi um dos primeiros artistas a nos mandar um autógrafo. Você costuma acessar o Vaga-lume?


    Eu acessava muito principalmente quando era músico de bar. Eu entrava sempre para pegar cifras e letras, porque em bar sabe como é que é né? Você precisa sempre estar atualizado.








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