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    23/07/2009

    Cisco Vasques
    Cachorro Grande letras
    Cachorro Grande

    Se existe uma banda que vive com a cabeça em outro momento essa banda é a Cachorro Grande. Viciados em vinil, equipamentos analógicos e rock dos anos 60 e 70, eles são pessoas deslocadas em nosso tempo.

    Um tempo onde a música quase não mais é comprada e é ouvida em pequenos fones de ouvido ou caixinhas de computador por consumidores que não tem paciência para escutar um disco inteiro.

    Talvez isso explique o fato deles estarem há quase dez anos por aí enquanto muitas outras bandas ficaram pelo caminho. Tocar parece ser a única preocupação do grupo e tanto faz se muita gente vai ouvir.

    Por ora pelo menos essas pessoas existem e em número razoável o bastante para permitir que eles se apresentem em todo o país seja em festivais gigantes (recentemente eles abriram pro Oasis) ou em pequenas casas ou bares do interior. Enfim um modelo que deveria ser regra e não exceção.

    Afinal uma cena musical saudável deve ser composta majoritariamente por artistas de pequeno e médio porte com boas condições de mostrar o seu trabalho e alguns poucos mega-vendedores.

    Cinema, o quinto lançamento do grupo, é um trabalho mais detalhado e um pouco diferente dos anteriores, ainda que as paixões por Beatles, The Who, Oasis e psicodelia continuem lá. Para falar sobre esse cd (e em breve vinil) voltamos a falar com o vocalista Beto Bruno.

    Esse parece ser o disco mais experimental da banda. Você concorda?


    Cisco Vasques
    Cachorro Grande letras
    O vocalista Beto Bruno

    Eu diria que sim. Ele tem um pouco dos elementos de todos os nossos trabalhos. O lado garageiro dos primeiros álbuns está lá, a fase mais pop do meio da carreira também.O disco anterior foi o mais psicodélico e tem muito disso no novo trabalho. Ele então acaba sendo uma junção de tudo o que já fizemos.



    As músicas já nasceram mais diferentes ou foram ficando assim durante as gravações?


    A gente chegou com 90% das idéias do disco prontas. Das outras vezes a gente deixou para montar mais em cima da hora. Nesse a gente veio trabalhando há mais tempo, tanto que gravamos tudo em apenas 20 dias.



    Ele também tem uns lances de rock progressivo. É um interesse recente de vocês?


    Cisco Vasques
    Cachorro Grande letras
    Gabriel Azambuja, o baterista

    Eu estava ouvindo muito a segunda fase dos The Animals, a partir do Winds of Change (de 1967) e também o King Crimson, principalmente o primeiro deles com os vocais do Greg Lake (mais tarde do Emerson Lake And Palmer). Também estou trocando meus vinis nacionais do Yes pelos importados, por causa do som melhor deles. Então eu venho ouvindo isso, que é uma coisa que eu ouvia mais na adolescência.
    Mas eu digo que esse disco tem muito mais de “space rock”, aquele som que rolou entre a psicodelia e o rock progressivo.



    O processo de composição mudou em alguma coisa dessa vez?


    Eu acho que esse é o disco que tem as faixas mais diferentes entre si, porque todos apareceram com músicas. Nunca a gente dividiu tanto as composições como agora. A gente sempre quis chegar num ponto assim. Eu sou fã dos Beatles, Pink Floyd e dos Mutantes, bandas em que todos compõem e cantam. A gente quer levar a Cachorro Grande cada vez mais para esse lado.



    E o disco vai sair em vinil também né? Já tem a data do lançamento?


    Cisco Vasques
    Cachorro Grande letras
    Rodolfo Krieger o baixista

    Sim, a Deckdisc (a gravadora deles e de artistas como Pitty e Dead Fish) comprou a fábrica (da Polysom, a última que ainda estava em funcionamento no Brasil) e é mais um sonho nosso realizado. O Cinema deve sair na época do natal e os outros quatro álbuns pouco a pouco devem sair durante o ano que vem.



    O público de vocês é meio novo. Será que tirando os filhos de DJ tem algum com toca-disco em casa? (risos)


    Isso é muito complicado mesmo, periga eles não saberem o que fazer quando tiver que virar o disco (risos). Mas é foda né? A gente desloca todo o equipamento pra vir até aqui em Porto Alegre pra gravar do jeito que a gente quer, fica um tempão preparando tudo, mais um mês mixando e masterizando, para essa galerinha nova ficar ouvindo no som do computador.



    Você só escuta vinil?


    Tem muita coisa nova que eu baixo, como o novo do Kasabian por exemplo. Aí eu ouço e se gosto vou no Ebay e mando trazer o vinil.



    E os shows? Vocês vão levar essa sonoridade para o palco?


    Nós já estamos tocando metade das músicas novas sem medo de causar estranhamento, porque a gente curte fazer algo diferente. Mas estamos fazendo com as guitarras mesmo, afinal se for pra ouvir que nem está no disco é melhor ficar em casa né?



    Faça um balanço desses quase dez anos de carreira do grupo. O que ficou daquela banda que surgiu quebrando instrumentos e lançando discos por selos locais


    Cisco Vasques
    Cachorro Grande letras
    Pedro Pelotas, o pianista

    Sobraram alguns instrumentos (risos). Já temos tantos discos quanto os Mutantes né? Nós nunca tivemos um sucesso massivo, então isso faz a gente se manter sempre na estrada dignamente sem precisar se vender. E a partir daí o público acaba vendo o que é verdadeiro e o que não é, porque você consegue enganar o público um pouco no início, mas depois não engana mais. Não tem esse papo de que o público é burro e engole qualquer coisa. Nesses dez anos várias bandas apareceram e já foram embora e nós estamos aí fazendo o nosso caminho, transitando entre o underground e o mainstream.

    A gente faz festival pra 70 mil pessoas dividindo palco com os Paralamas do Sucesso, abrimos o show de uma banda como o Oasis e no outro dia estamos em um barzinho em Araraquara. Desde pequenos que queríamos isso e a gente vai trilhando de pouco em pouco... Eu quero estar gravando disco daqui 20 anos. Nem vai ter mais esse formato, mas eu vou querer. Que se foda o modismo que estiver rolando. Afinal desde que aparecemos já surgiram dois ou três que se foram e a gente segue aí. Com terno e tudo.



    Como foi abrir para o Oasis? Vocês conheceram os Gallagher?


    Nós conversamos com eles depois do show e foi uma coisa que até agora não me caiu muito a ficha, porque eu sou fã confesso. Eu nunca imaginei que um dia estaria tocando no mesmo palco, usando o mesmo equipamento e para o público deles. Os caras estavam vendo ali do canto do palco, eu fiquei apavorado. Eles assistiram a três shows, ou seja voltaram pra ver de novo.



    E essa amizade com o Supergrass como é que está? Esse papo de uma turnê conjunta vai rolar?


    Que é outra banda que eu amo muito. Eu espero os discos deles roendo as unhas. Nós estamos nos falando direto e pensando em fazer essa turnê ano que vem por aqui, logo que eles lançarem o novo disco.



    Agora só fica faltando o Paul mcCartney né? (risos)


    Pô, nem me diga. Já tô até nervoso (risos).








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